SMS Curitiba - Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba (PR) — Prova 2026
Paciente masculino de 7 anos de idade apresenta manchas vermelhas palpáveis em suas pernas e nádegas acompanhada de dor abdominal difusa. Ao exame, observam-se múltiplas lesões purpúricas bilaterais simétricas, que não desaparecem à vitropressão, além de edema nas articulações dos joelhos e tornozelos. Os exames laboratoriais mostraram apenas hematúria microscópica. Com base no caso clínico apresentado, qual é o diagnóstico mais provável e qual é o tratamento recomendado para essa condição?
Púrpura palpável + Dor abdominal + Artralgia + Hematúria = Vasculite por IgA.
A Vasculite por IgA é a vasculite mais comum na infância, mediada por imunocomplexos, apresentando-se com púrpura não trombocitopênica e evolução geralmente benigna.
A Vasculite por IgA, anteriormente denominada Púrpura de Henoch-Schönlein, é uma vasculite leucocitoclástica de pequenos vasos caracterizada pela deposição de imunocomplexos contendo IgA1. É frequentemente precedida por uma infecção de vias aéreas superiores, sugerindo um gatilho antigênico. O quadro clínico clássico envolve a pele (púrpura palpável simétrica em membros inferiores), trato gastrointestinal (dor em cólica e risco de intussuscepção), articulações (artralgia migratória) e rins. O diagnóstico na infância é eminentemente clínico. O tratamento é majoritariamente de suporte, focando em hidratação e analgesia com anti-inflamatórios não esteroidais (se não houver contraindicação renal ou gastrointestinal). A monitorização renal é o aspecto mais crítico do seguimento ambulatorial, visando detectar precocemente a glomerulonefrite associada à vasculite.
O critério obrigatório é a presença de púrpura palpável (sem trombocitopenia) associada a pelo menos um dos seguintes achados: dor abdominal difusa de início agudo, artrite ou artralgia aguda em qualquer articulação, envolvimento renal (caracterizado por hematúria ou proteinúria) ou biópsia histopatológica demonstrando deposição predominante de IgA em pequenos vasos ou glomérulos.
O uso de corticosteroides, como a prednisolona, é reservado para casos com dor abdominal intensa, hemorragia gastrointestinal significativa ou envolvimento renal grave. Embora ajudem no controle da dor e inflamação aguda, as evidências mostram que eles não previnem a ocorrência de nefrite a longo prazo ou recorrências da doença.
A maioria das crianças apresenta excelente prognóstico com resolução completa. No entanto, o acompanhamento com sumário de urina e aferição da pressão arterial é essencial por pelo menos 6 meses após o diagnóstico, pois a nefrite pode se manifestar tardiamente e, em cerca de 1 a 5% dos casos, pode evoluir para doença renal crônica.
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