UniEVANGÉLICA - Universidade Evangélica de Goiás — Prova 2021
Escolar sexo masculino, 7 anos de idade, com história de tosse seca e coriza iniciado há 20 dias, sem febre, evoluindo com melhora progressiva. Há 15 dias iniciou dor articular nos joelhos associado a edema, vermelhidão e dificuldade de movimentação, com migração da dor e edema para tornozelos há 10 dias. Há 7 dias apareceu lesões predominante em membros inferiores e nádegas, cor vermelho arroxeada, elevada, que não desaparece a dígito pressão, nega prurido. Nega febre. Pressão arterial: 90/60 mm/Hg (percentil 50 para idade). Exames laboratoriais: hemograma com hemoglobina de 10 mg/dl (VR: 11-14), leucócitos 18.000 mm3 (VR: 7.000-15.000), sem desvio. Plaquetas 350.000 (VR: 140.000-400.000). Urina 1: com presença de hematúria, leucocitúria, proteína presente. VHS: 15 mm (VR: até 20 mm). PCR: 20 mg/dl (VR: menor 1,0 mg/dl). Qual diagnóstico mais provável?
Púrpura palpável + artralgia migratória + dor abdominal + nefrite = Vasculite por IgA (Henoch-Schönlein).
A Vasculite por IgA (Púrpura de Henoch-Schönlein) é a vasculite mais comum na infância, caracterizada pela tétrade de púrpura palpável não trombocitopênica, artralgia/artrite, dor abdominal e envolvimento renal. O quadro viral prévio é um gatilho comum.
A Vasculite por IgA, anteriormente conhecida como Púrpura de Henoch-Schönlein (PHS), é a vasculite sistêmica mais comum na infância, embora possa ocorrer em adultos. É uma vasculite de pequenos vasos mediada por imunocomplexos contendo IgA. Geralmente, é precedida por uma infecção de vias aéreas superiores ou gastrointestinal, sugerindo um gatilho infeccioso. A condição é caracterizada por uma tétrade clássica de manifestações clínicas: púrpura palpável não trombocitopênica, artralgia ou artrite (principalmente em grandes articulações e migratória), dor abdominal (que pode mimetizar abdome agudo) e envolvimento renal (hematúria e/ou proteinúria). O diagnóstico da Vasculite por IgA é essencialmente clínico, baseado na presença da púrpura palpável e em pelo menos um dos outros três achados. Exames laboratoriais podem mostrar leucocitose e elevação de marcadores inflamatórios como VHS e PCR, mas as plaquetas são tipicamente normais, diferenciando-a de púrpuras trombocitopênicas. A urina tipo 1 é crucial para detectar o envolvimento renal, que pode variar de hematúria microscópica a glomerulonefrite rapidamente progressiva. A biópsia de pele pode revelar vasculite leucocitoclástica com depósitos de IgA nas paredes dos vasos. O tratamento é principalmente de suporte, com analgésicos para dor e anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) para artralgia. Corticosteroides podem ser usados para dor abdominal intensa ou envolvimento renal significativo. O prognóstico é geralmente bom, com a maioria dos casos resolvendo-se espontaneamente. No entanto, o acompanhamento a longo prazo é fundamental, especialmente para monitorar a função renal, pois o envolvimento renal é a principal causa de morbidade e pode levar à doença renal crônica em uma pequena porcentagem dos pacientes.
Os critérios incluem púrpura palpável não trombocitopênica, dor abdominal difusa, artrite ou artralgia (especialmente em grandes articulações) e envolvimento renal (hematúria, proteinúria).
O envolvimento renal, manifestado por hematúria e/ou proteinúria, é a complicação mais séria e a principal causa de morbidade a longo prazo, podendo evoluir para doença renal crônica em uma minoria dos casos.
A diferenciação é feita pela presença de púrpura palpável (lesões elevadas) e plaquetas normais, o que a distingue de púrpuras trombocitopênicas. A associação com artralgia, dor abdominal e nefrite é característica.
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