HAS - Hospital Adventista Silvestre (RJ) — Prova 2026
Paciente feminina, 6 anos, procura atendimento de emergência com queixa de dor, com edema de tornozelos há 6 dias, e aparecimento progressivo de lesões avermelhadas nas pernas e pés. Há 2 dias vem apresentando dor abdominal de moderada. História de quadro gripal há 2 semanas, autolimitado. Ao exame encontra-se em bom estado geral, sinais vitais preservados, dor leve à palpação difusa do abdome, púrpuras e petéquias palpáveis e membros inferiores e de artrite tornozelos. Sem outras alterações. Sobre a principal hipótese diagnóstica, assinale e alternativa CORRETA:
Púrpura palpável + Artralgia + Dor abdominal + Hematúria → Vasculite por IgA (Henoch-Schönlein).
A PHS é uma vasculite de pequenos vasos mediada por imunocomplexos de IgA, frequentemente precedida por IVAS, caracterizada pela tétrade clínica clássica.
A Púrpura de Henoch-Schönlein (PHS), agora preferencialmente chamada de Vasculite por IgA, é a vasculite sistêmica mais comum na infância. Sua fisiopatologia envolve a deposição de imunocomplexos contendo IgA1 deficientemente galactosilada nas paredes de pequenos vasos (vênulas, capilares e arteríolas). O gatilho costuma ser uma infecção de vias aéreas superiores, levando a uma resposta imune aberrante. O quadro clínico é marcado por púrpuras palpáveis simétricas em membros inferiores e nádegas, artralgia ou artrite transitória de grandes articulações, e dor abdominal tipo cólica decorrente de edema e hemorragia na parede intestinal. O envolvimento renal ocorre em cerca de 30-50% dos casos, variando de hematúria microscópica isolada a glomerulonefrite rapidamente progressiva. O tratamento é majoritariamente de suporte, com foco em analgesia e hidratação. O uso de corticosteroides é controverso, sendo reservado para casos de dor abdominal intensa ou envolvimento renal grave, não prevenindo a ocorrência de nefrite a longo prazo.
O critério obrigatório é a púrpura palpável (sem trombocitopenia) associada a pelo menos um dos seguintes: dor abdominal difusa, biópsia com depósito predominante de IgA, artrite ou artralgia aguda, ou envolvimento renal (hematúria ou proteinúria).
A intussuscepção (invaginação intestinal) é a complicação cirúrgica mais temida, ocorrendo geralmente de forma ileo-ileal, diferentemente da forma idiopática que costuma ser ileo-cólica.
O seguimento deve ser rigoroso com urinálise e aferição de pressão arterial por pelo menos 6 meses a 1 ano, pois a nefrite pode se manifestar tardiamente, mesmo após a resolução das lesões cutâneas.
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