Vasculite por IgA (Henoch-Schönlein): Diagnóstico e Conduta

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Enzo, um escolar de 6 anos de idade, é levado à emergência pediátrica com história de manchas avermelhadas e elevadas que surgiram inicialmente nos tornozelos e progrediram para as coxas e nádegas nas últimas 24 horas. As lesões não coçam e são acompanhadas de dor e edema em ambos os tornozelos, dificultando a deambulação. A mãe relata que, hoje pela manhã, o menino iniciou quadro de dor abdominal em cólica, de forte intensidade, associada a três episódios de vômitos alimentares. Ao exame físico, apresenta-se em regular estado geral, afebril, com púrpura palpável simétrica em membros inferiores e glúteos. O abdome é doloroso à palpação difusa, sem sinais de irritação peritoneal. Os exames laboratoriais revelam hemograma com 320.000 plaquetas/mm³, ureia e creatinina dentro dos limites da normalidade para a idade, e o sumário de urina demonstra hematúria microscópica (15 hemácias por campo) e proteinúria de 1+. Com base no quadro clínico e laboratorial, a hipótese diagnóstica e a conduta inicial mais adequada são:

Alternativas

  1. A) Vasculite por IgA; tratamento ambulatorial com anti-inflamatórios não esteroidais e repouso absoluto.
  2. B) Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica; restrição hídrica rigorosa e monitoramento da pressão arterial em regime de enfermaria.
  3. C) Púrpura Trombocitopênica Imune; prescrição de imunoglobulina endovenosa para rápida elevação do nível plaquetário.
  4. D) Vasculite por IgA com acometimento gastrointestinal; internação hospitalar para manejo da dor abdominal e início de corticoterapia sistêmica.

Pérola Clínica

Púrpura palpável + Dor abdominal + Artralgia = Vasculite por IgA (Henoch-Schönlein).

Resumo-Chave

A Vasculite por IgA com envolvimento gastrointestinal grave (dor intensa, vômitos) exige internação e corticoterapia para controle inflamatório e prevenção de complicações.

Contexto Educacional

A Vasculite por IgA, anteriormente conhecida como Púrpura de Henoch-Schönlein, é a vasculite de pequenos vasos mais comum na infância. Sua fisiopatologia envolve a deposição de imunocomplexos contendo IgA1 em diversos órgãos. Clinicamente, caracteriza-se pela tétrade de púrpura palpável, artralgia/artrite, dor abdominal e doença renal. O prognóstico é geralmente excelente, sendo a doença autolimitada na maioria dos casos. No entanto, o envolvimento gastrointestinal pode ser severo, manifestando-se como hemorragia digestiva ou intussuscepção. O envolvimento renal (nefrite por IgA) é o principal determinante do prognóstico a longo prazo, exigindo acompanhamento prolongado com sumário de urina e pressão arterial. O tratamento é majoritariamente de suporte, mas a internação é mandatória em casos de dor abdominal intensa, sangramento gastrointestinal significativo ou disfunção renal aguda.

Perguntas Frequentes

Quais os critérios diagnósticos da Vasculite por IgA?

O critério obrigatório é a púrpura palpável (sem trombocitopenia), geralmente com distribuição em membros inferiores. Deve estar associada a pelo menos um dos seguintes: dor abdominal difusa, artralgia ou artrite, envolvimento renal (hematúria/proteinúria) ou biópsia demonstrando deposição predominante de IgA.

Quando indicar corticoide na Púrpura de Henoch-Schönlein?

O uso de corticosteroides (como prednisona ou metilprednisolona) é indicado principalmente para o manejo de dor abdominal moderada a grave e dor articular persistente. Embora não previnam a progressão da doença renal a longo prazo, são eficazes na redução do tempo de dor e na prevenção de complicações como a intussuscepção intestinal.

Qual a principal complicação cirúrgica abdominal?

A complicação mais temida é a intussuscepção intestinal (invaginação), que ocorre devido ao edema e hemorragia na parede do intestino que servem como ponto de partida para o deslizamento de uma alça sobre a outra. Diferente da forma idiopática, na vasculite por IgA ela costuma ser ileo-ileal.

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