SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2025
Um menino de 7 anos de idade iniciou um quadro de manchas elevadas, cor vermelha‐ arroxeada não pruriginosas em membros inferiores, e região glútea. Os pais relataram ainda alguns episódios de dor abdominal. Ao exame físico, preda púrpura palpável, observou‐se também edema discreto nos tornozelos e dor à palpação abdominal, sem sinais de defesa. Os exames laboratoriais mostraram hematúria microscópica e proteinúria leve, com função renal preservada. Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico e a conduta adequada:
Púrpura palpável + dor abdominal + artralgia/edema = Vasculite por IgA.
A Vasculite por IgA é a vasculite de pequenos vasos mais comum na infância. O diagnóstico é clínico e o tratamento foca no suporte e vigilância de complicações renais e gastrointestinais.
A Vasculite por IgA, anteriormente chamada de Púrpura de Henoch-Schönlein, é mediada por deposição de imunocomplexos de IgA1 em pequenos vasos. A tríade clássica envolve púrpura palpável, artralgia e dor abdominal, frequentemente precedida por uma infecção de vias aéreas superiores. O prognóstico é geralmente excelente, mas a nefrite e a intussuscepção intestinal são as principais complicações agudas e crônicas que exigem atenção. O manejo clínico exige uma abordagem multidisciplinar para detectar precocemente sinais de glomerulonefrite progressiva. O acompanhamento ambulatorial prolongado é necessário, pois o envolvimento renal pode se manifestar semanas após a resolução das lesões cutâneas. A educação dos pais sobre sinais de alerta, como urina escura ou dor abdominal súbita e intensa, é parte integrante do cuidado pediátrico.
Na Vasculite por IgA, a púrpura é caracteristicamente palpável e geralmente localizada em áreas de declive, como membros inferiores e nádegas, com contagem de plaquetas normal ou elevada. Na Púrpura Trombocitopênica Imune (PTI), as petéquias e equimoses não são palpáveis, são distribuídas aleatoriamente pelo corpo e há uma trombocitopenia importante (plaquetas baixas). A palpação das lesões cutâneas é, portanto, um passo semiológico crucial para distinguir uma vasculite de um distúrbio puramente hematológico, orientando a investigação para causas inflamatórias vasculares.
Cerca de 30-50% das crianças apresentam envolvimento renal, manifestando-se como hematúria microscópica ou proteinúria leve. Embora a maioria tenha curso benigno, o monitoramento com urina tipo 1 e aferição da pressão arterial é essencial por até 6 meses após o quadro inicial para detectar glomerulonefrite. A nefrite por IgA é a principal determinante de morbidade a longo prazo nesta condição. Casos com proteinúria persistente ou hipertensão devem ser encaminhados precocemente ao nefrologista pediátrico para avaliação de biópsia renal e início de terapia específica se necessário.
O uso de corticoides é reservado para casos de dor abdominal intensa, hemorragia gastrointestinal ou orquite, visando reduzir a inflamação e o desconforto agudo. No entanto, não há evidências robustas de que os corticoides previnam a progressão para doença renal crônica em casos leves a moderados. O tratamento inicial é majoritariamente de suporte, com analgesia e hidratação. O uso indiscriminado de corticoides deve ser evitado, priorizando-se a vigilância clínica das complicações viscerais, que são as que realmente definem a gravidade e a necessidade de intervenções mais agressivas no ambiente hospitalar.
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