INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023
Um menino de 3 anos encontra-se em consulta em serviço de especialidades com história de ter apresentado quadro autolimitado de rinofaringite há 9 dias. Na ocasião, foi realizado painel viral por meio de RT-PCR para SARS-CoV-2, Vírus Sincicial Respiratório e Influenza A e B, o qual resultou negativo para todas as doenças. Há 1 dia, o paciente está apresentando petéquias e equimoses não pruriginosas em extremidades inferiores e em região glútea associadas à artralgia e à limitação de movimento em joelhos e tornozelos, além de dor abdominal peri-umbilical intermitente. Sua responsável refere, ainda, que hoje o menino teve um episódio de vômito pós-prandial. Sua pressão arterial apresenta-se sem alterações. Exames complementares, hemograma completo, parasitológico de fezes, coagulograma, ureia e creatinina normais. Apresenta ASLO negativo e seu resultado de urina de rotina mostra hematúria +, proteinúria +, sem piúria. Diante do quadro desse paciente, qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
Vasculite por IgA: púrpura palpável + artralgia + dor abdominal + envolvimento renal (hematúria/proteinúria) pós-infecção.
A Vasculite por IgA (Púrpura de Henoch-Schönlein) é uma vasculite de pequenos vasos comum em crianças, frequentemente desencadeada por infecções. A tríade clássica inclui púrpura palpável, artralgia e dor abdominal, com envolvimento renal sendo uma complicação importante a ser monitorada.
A Vasculite por IgA, anteriormente conhecida como Púrpura de Henoch-Schönlein, é a vasculite sistêmica mais comum na infância, com pico de incidência entre 3 e 15 anos. É uma doença autolimitada na maioria dos casos, mas o reconhecimento precoce é crucial devido ao potencial de complicações renais e gastrointestinais. Sua etiologia é multifatorial, frequentemente associada a infecções virais ou bacterianas prévias, medicamentos e vacinas, que desencadeiam uma resposta imune com deposição de complexos IgA nos pequenos vasos da pele, articulações, trato gastrointestinal e rins. O diagnóstico é clínico, baseado na presença de púrpura palpável não trombocitopênica, associada a pelo menos um dos seguintes: dor abdominal difusa, artrite/artralgia ou envolvimento renal (hematúria/proteinúria). Exames laboratoriais como hemograma, coagulograma e função renal são geralmente normais, exceto pela presença de hematúria e proteinúria na urina. O ASLO negativo ajuda a diferenciar de glomerulonefrite pós-estreptocócica. O tratamento é principalmente de suporte, com analgésicos para dor e, em casos de dor abdominal intensa ou envolvimento renal grave, corticosteroides podem ser indicados. O prognóstico é geralmente bom, com a maioria dos pacientes se recuperando completamente. No entanto, o acompanhamento a longo prazo é essencial, especialmente para monitorar a função renal, pois o envolvimento renal pode persistir ou se manifestar tardiamente em uma pequena porcentagem de pacientes, podendo evoluir para doença renal crônica. A educação dos pais sobre os sinais de alerta e a importância do seguimento é fundamental.
Os principais sinais incluem púrpura palpável não pruriginosa, geralmente em extremidades inferiores e glúteos, artralgia (especialmente em joelhos e tornozelos) e dor abdominal intermitente. Pode haver também vômitos e, em casos mais graves, sangramento gastrointestinal e envolvimento renal.
O envolvimento renal na Vasculite por IgA pode se manifestar como hematúria e proteinúria, que podem ser detectadas em exames de urina de rotina. Em alguns casos, pode evoluir para glomerulonefrite e, raramente, para insuficiência renal crônica, exigindo monitoramento rigoroso da função renal.
A Vasculite por IgA é frequentemente precedida por uma infecção do trato respiratório superior ou gastrointestinal, geralmente viral ou bacteriana (mas não necessariamente estreptocócica). Acredita-se que a resposta imune à infecção desencadeie a deposição de complexos imunes contendo IgA nos pequenos vasos.
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