Vasculite por IgA em Crianças: Diagnóstico e Sinais Chave

CESUPA - Centro Universitário do Estado do Pará — Prova 2024

Enunciado

Criança de 7 anos de idade, previamente hígida, sexo masculino, é levada, ao pronto atendimento com quadro de lesões violáceas em pés e pernas, associadas à febre baixa e artralgia em tornozelos, de aparecimento há 2 dias. Ao exame físico, presença de petéquias e lesões purpúricas elevadas de até 4 mm, que não desaparecem à digitopressão, em membros inferiores e nádegas, edema difuso em tornozelos, dor e edema testicular bilateral, sem outros achados anormais. Solicitados exames complementares: hemograma sem alterações, velocidade de hemossedimentação 110 mm/1ª hora, PCR 9 (normal até 0,5), desidrogenase lática 250 (normal até 350), urina 1 com 30 hemácias/campo (normal até 5), proteínas 2+, leucócitos 4/campo, nitrito negativo. Diante do quadro exposto, assinale a alternativa que contém a principal hipótese diagnóstica:

Alternativas

  1. A) Vasculite por IgA.
  2. B) Sepsis.
  3. C) Lúpus eritematoso sistêmico juvenil.
  4. D) Púrpura Trombocitopênica imune.

Pérola Clínica

Vasculite por IgA (PHS): púrpura palpável + artralgia + dor abdominal + envolvimento renal/testicular em criança.

Resumo-Chave

O quadro clínico de púrpura palpável não trombocitopênica em membros inferiores e nádegas, associada a artralgia, dor abdominal e envolvimento renal (hematúria e proteinúria), além de edema testicular, é altamente sugestivo de Vasculite por IgA (Púrpura de Henoch-Schönlein). Os exames laboratoriais, com hemograma normal e marcadores inflamatórios elevados, corroboram o diagnóstico.

Contexto Educacional

A Vasculite por IgA, anteriormente conhecida como Púrpura de Henoch-Schönlein (PHS), é a vasculite sistêmica mais comum na infância. Caracteriza-se por uma vasculite de pequenos vasos mediada por depósitos de imunocomplexos contendo IgA. Embora geralmente benigna e autolimitada, pode cursar com complicações graves, especialmente renais, sendo fundamental o reconhecimento e manejo adequados. A apresentação clínica é marcada pela tétrade clássica: púrpura palpável (não trombocitopênica), artralgia ou artrite (principalmente em grandes articulações), dor abdominal (que pode mimetizar abdome agudo) e envolvimento renal (hematúria e/ou proteinúria). O diagnóstico é clínico, apoiado por exames laboratoriais que geralmente mostram plaquetas normais, marcadores inflamatórios elevados (VHS, PCR) e, no caso de envolvimento renal, alterações na urina. O edema e dor testicular, como no caso, são manifestações menos frequentes, mas reconhecidas. O tratamento é principalmente de suporte, com analgésicos para dor e repouso. Corticosteroides podem ser usados para dor abdominal grave ou artrite intensa, mas seu papel na prevenção de complicações renais é controverso. O monitoramento do envolvimento renal é crucial, com exames de urina e função renal regulares, pois a nefropatia por IgA pode evoluir para doença renal crônica em uma minoria dos pacientes. Residentes devem estar atentos a essa condição para garantir o acompanhamento adequado e prevenir sequelas a longo prazo.

Perguntas Frequentes

Quais são as manifestações clínicas clássicas da Vasculite por IgA (Púrpura de Henoch-Schönlein)?

As manifestações clássicas da Vasculite por IgA incluem a tétrade de púrpura palpável (não trombocitopênica), artralgia/artrite, dor abdominal e envolvimento renal (hematúria e/ou proteinúria). O envolvimento testicular, embora menos comum, também pode ocorrer.

Como diferenciar a Vasculite por IgA de outras púrpuras em crianças?

A Vasculite por IgA se diferencia pela presença de púrpura palpável com plaquetas normais, associada a sintomas sistêmicos como artralgia, dor abdominal e envolvimento renal. Outras púrpuras, como a PTI, cursam com trombocitopenia e lesões não palpáveis, sem os sintomas sistêmicos característicos da vasculite.

Qual a importância do envolvimento renal na Vasculite por IgA?

O envolvimento renal é a complicação mais séria da Vasculite por IgA, podendo variar de hematúria microscópica e proteinúria leve a glomerulonefrite rapidamente progressiva. É crucial monitorar a função renal e a urina para detectar e manejar precocemente qualquer comprometimento renal, que pode levar à doença renal crônica.

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