FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2024
Um homem de 62 anos de idade procura assistência médica em função de lesões cutâneas eritematosas nos membros inferiores, que surgiram há 5 dias. Há uma semana desenvolveu bronquite aguda e fez tratamento com cefuroxima 500mg 2 x dia. Os sintomas respiratórios melhoraram, mas houve desenvolvimento de exantema. Ele não apresenta febre, calafrios, dores articulares, mialgia e nem hematúria. Ao exame físico são identificadas numerosa lesões eritematosas palpáveis, que não empalidecem à compressão, medido de 1 a 5mm de diâmetro. Nesse caso, qual o provável diagnóstico?
Púrpura palpável em MMII após uso de fármaco (cefuroxima) sem sintomas sistêmicos → Vasculite leucocitoclástica cutânea.
A vasculite leucocitoclástica cutânea é uma inflamação dos pequenos vasos da pele, manifestando-se como púrpura palpável, frequentemente nos membros inferiores. Pode ser induzida por medicamentos, como antibióticos, e geralmente não apresenta sintomas sistêmicos graves.
A vasculite leucocitoclástica cutânea (VLC) é uma forma comum de vasculite de pequenos vasos que afeta predominantemente a pele. É caracterizada histologicamente pela inflamação e necrose dos pequenos vasos sanguíneos da derme, com infiltrado de neutrófilos e fragmentação nuclear (leucocitoclasia). Clinicamente, manifesta-se tipicamente como púrpura palpável, predominantemente nos membros inferiores, devido à gravidade e pressão hidrostática. A VLC pode ser idiopática, secundária a infecções (especialmente virais), doenças autoimunes (como lúpus eritematoso sistêmico, artrite reumatoide), neoplasias ou, como no caso apresentado, induzida por medicamentos. A história de uso recente de fármacos, como antibióticos (cefuroxima, penicilinas, sulfonamidas), AINEs ou diuréticos, é um dado crucial para o diagnóstico etiológico. A ausência de sintomas sistêmicos como febre, artralgia, mialgia ou hematúria sugere uma forma limitada à pele. O diagnóstico é primariamente clínico, mas a biópsia de pele é o padrão-ouro para confirmação histopatológica e para diferenciar de outras causas de púrpura. O tratamento envolve a identificação e remoção do agente causal (se for medicamentoso), repouso, elevação dos membros e, em casos mais sintomáticos ou persistentes, corticosteroides tópicos ou sistêmicos, ou colchicina. O prognóstico geralmente é bom para as formas cutâneas limitadas, mas a vigilância para o desenvolvimento de envolvimento sistêmico é sempre importante.
A púrpura palpável é caracterizada por lesões cutâneas elevadas, eritematosas a violáceas, que não empalidecem à digitopressão. É o sinal clínico mais comum de vasculite de pequenos vasos, indicando inflamação e extravasamento de sangue na derme.
Diversos medicamentos podem induzir vasculite leucocitoclástica, incluindo antibióticos (penicilinas, cefalosporinas, sulfonamidas), diuréticos tiazídicos, anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e alopurinol.
O diagnóstico é clínico, mas a biópsia de pele é crucial para confirmação, revelando infiltrado inflamatório perivascular com neutrófilos, fragmentos nucleares (leucocitoclasia) e extravasamento de eritrócitos nos pequenos vasos da derme. A biópsia ajuda a diferenciar de outras causas de púrpura.
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