TECM Prática - Prova Prática de Clínica Médica — Prova 2025
Caso clínico: • Paciente: Henrique, 48 anos, masculino, bancário, previamente saudável; • História Clínica: Paciente procura atendimento dermatológico por lesões dolorosas nas pernas, com início há 5 dias. Relata manchas avermelhadas que se tornaram elevadas, algumas evoluindo para áreas de necrose e úlcera superficial, acompanhadas de febre baixa (37,8ºC) e mialgia leve. Nega trauma local, uso recente de medicamentos, viagens ou feridas prévias. Sem antecedentes de doenças autoimunes; • Exame físico: o Lesões palpáveis, purpúricas, de 0,5 a 2 cm, predominantemente em membros inferiores, alguns confluentes, com áreas de necrose central; o Sem linfadenomegalias; o Sem artrite, úlceras orais, alopécia ou envolvimento ocular. • Exames complementares: o Hemograma: ▪ Hb: 13,1 g/dL; ▪ Leucócitos: 9.800/mm³; ▪ Plaquetas: 310.000/mm³; o VHS: 48 mm/h; o PCR: 6,3 mg/dL; o FAN: negativo; o C3/C4: normais; o Sorologias para HIV, VHB, VHC: não reagentes; o EAS: sem alterações; o Biópsia incisional (24h após aparecimento): infiltrado neutrofílico perivascular com necrose de parede de vasos de pequeno calibre, extravasamento de hemácias e leucocitoclasia. Qual o diagnóstico mais provável para este paciente?
Púrpura palpável em MMII + Histologia com leucocitoclasia = Vasculite Leucocitoclástica.
A vasculite leucocitoclástica é um diagnóstico histopatológico de inflamação de pequenos vasos, frequentemente idiopática na ausência de envolvimento sistêmico.
A vasculite leucocitoclástica cutânea (VLC) manifesta-se tipicamente como púrpura palpável em áreas de declive, como os membros inferiores. O termo refere-se ao achado histológico de infiltrado neutrofílico perivascular com fragmentação nuclear e necrose fibrinoide da parede vascular de pequenos vasos. No caso clínico apresentado, a ausência de consumo de complemento, FAN negativo e sorologias negativas, associada a um EAS normal, aponta para um quadro restrito à pele. É fundamental a realização de biópsia precoce (idealmente em 24-48h do surgimento da lesão) para confirmação diagnóstica. O tratamento geralmente é conservador, mas casos graves ou ulcerados podem exigir corticoterapia sistêmica.
Refere-se à fragmentação dos núcleos de neutrófilos, gerando a chamada 'poeira nuclear', que ocorre ao redor de vasos de pequeno calibre com necrose fibrinoide.
A vasculite por IgA (Henoch-Schönlein) exige a demonstração de depósito predominante de IgA na imunofluorescência direta da biópsia de pele, além de frequentemente apresentar sintomas gastrointestinais e renais.
Devem ser solicitados hemograma, função renal, EAS, sorologias para hepatites e HIV, além de provas inflamatórias e complemento, visando descartar causas secundárias ou sistêmicas.
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