Vascularização Ovariana: Artérias e Implicações Cirúrgicas

HSR Cássia - Hospital São Sebastião de Cássia (MG) — Prova 2023

Enunciado

Mulher com 41 anos, G4 P3C A0 (3 filhos vivos), casada, gravidez planejada, 28 semanas (DUM = 1º US), sem comorbidades, pré-natal sem intercorrências até o momento. Tabagista de 20 cigarros por dia. Na consulta de hoje, sem queixas e manifesta desejo em colocar DIU no pós-parto imediato ou fazer a salpingotripsia. Dentre as complicações da salpingectomia está o desenvolvimento de irregularidade menstrual ou mesmo falência ovariana precoce. Uma possibilidade é a lesão inadvertida nas artérias que suprem os ovários. É CORRETO afirmar que as artérias responsáveis pelo suprimento sanguíneo arterial dos ovários são:

Alternativas

  1. A) Artérias tubovarianas bilateralmente.
  2. B) Artérias uterinas bilateralmente.
  3. C) Artérias ovarianas e ramos ovarianos das artérias uterinas bilateralmente.
  4. D) Artérias ovarianas bilateralmente.

Pérola Clínica

Ovários são supridos pelas artérias ovarianas (diretamente da aorta) e ramos ovarianos das artérias uterinas.

Resumo-Chave

A vascularização ovariana é dual, recebendo sangue diretamente da aorta abdominal através das artérias ovarianas e também da artéria ilíaca interna via ramos ovarianos das artérias uterinas. Essa dupla irrigação é crucial para a função ovariana.

Contexto Educacional

A compreensão da anatomia vascular dos órgãos pélvicos femininos é fundamental para qualquer procedimento cirúrgico na região, como a salpingectomia (laqueadura tubária). Os ovários, órgãos essenciais para a função reprodutiva e endócrina, possuem uma irrigação sanguínea complexa e dual, que os torna relativamente resistentes a isquemias, mas também vulneráveis a lesões iatrogênicas. O principal suprimento arterial dos ovários provém das artérias ovarianas, que são ramos diretos da aorta abdominal. Estas artérias descem pelo ligamento suspensor do ovário e chegam ao hilo ovariano. Contudo, uma contribuição igualmente importante vem dos ramos ovarianos das artérias uterinas. As artérias uterinas, por sua vez, são ramos da artéria ilíaca interna. Esses ramos ovarianos da artéria uterina anastomosam-se com as artérias ovarianas no mesovário, formando um arco arterial que garante um suprimento sanguíneo robusto. A lesão inadvertida desses vasos durante procedimentos como a salpingectomia, especialmente quando a ligadura ou ressecção tubária é realizada muito próxima ao ovário ou de forma que comprometa a anastomose, pode levar a um comprometimento do fluxo sanguíneo ovariano. Isso pode resultar em complicações como irregularidades menstruais, disfunção ovariana e, em casos mais graves, falência ovariana precoce, impactando a qualidade de vida da paciente.

Perguntas Frequentes

De onde se originam as artérias ovarianas?

As artérias ovarianas se originam diretamente da aorta abdominal, geralmente abaixo das artérias renais, e descem retroperitonealmente para alcançar os ovários.

Qual a importância dos ramos ovarianos da artéria uterina?

Os ramos ovarianos da artéria uterina, que se origina da artéria ilíaca interna, formam uma anastomose com a artéria ovariana no mesovário, contribuindo significativamente para o suprimento sanguíneo do ovário e tuba uterina.

Como a salpingectomia pode afetar a função ovariana?

A salpingectomia, especialmente se realizada de forma agressiva ou com ligadura próxima ao ovário, pode inadvertidamente lesar os vasos que suprem o ovário (artéria ovariana ou seus ramos), comprometendo o fluxo sanguíneo e potencialmente levando à falência ovariana precoce ou irregularidades menstruais.

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