SMS-RJ - Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2024
A porção distal do esôfago recebe vascularização da artéria:
Esôfago distal vascularizado pela Artéria Gástrica Esquerda (ramo do tronco celíaco).
O esôfago possui suprimento arterial segmentar; a porção abdominal e distal é suprida principalmente pela artéria gástrica esquerda e artéria frênica inferior esquerda.
O esôfago é um órgão tubular com uma vascularização complexa e segmentada, o que o torna particularmente vulnerável à isquemia durante mobilizações cirúrgicas extensas. A porção distal, localizada logo acima e abaixo do diafragma, depende fortemente da artéria gástrica esquerda. Esta artéria fornece ramos ascendentes que cruzam o hiato diafragmático para suprir o esôfago inferior. Compreender essa anatomia é essencial para residentes de cirurgia geral e do aparelho digestivo, especialmente na realização de hiatoplastias, fundoplicaturas e esofagectomias, onde a preservação ou ligadura controlada desses vasos define o sucesso do procedimento e a viabilidade da anastomose.
A artéria gástrica esquerda é o maior ramo do tronco celíaco, originando-se logo acima da artéria hepática comum e da artéria esplênica. Após sua origem, ela segue um trajeto ascendente e para a esquerda em direção ao cárdia gástrico, onde emite ramos esofágicos ascendentes que atravessam o hiato diafragmático para suprir o esôfago distal. Posteriormente, ela se curva para seguir ao longo da pequena curvatura do estômago, fornecendo irrigação para as paredes anterior e posterior do corpo gástrico antes de se anastomosar com a artéria gástrica direita. Esse trajeto a torna uma estrutura vital em cirurgias de hiato e gastrectomias, exigindo identificação precisa para evitar sangramentos intraoperatórios ou isquemia inadvertida de segmentos digestivos superiores.
A vascularização do esôfago é notavelmente segmentar, o que significa que diferentes partes do órgão recebem sangue de fontes arteriais distintas. O esôfago cervical é irrigado principalmente pelas artérias tireóideas inferiores. O esôfago torácico recebe múltiplos pequenos ramos diretamente da aorta torácica, além de contribuições das artérias brônquicas e intercostais. Já o esôfago distal e a transição esofagogástrica são supridos pela artéria gástrica esquerda e pelas artérias frênicas inferiores esquerdas. Essa falta de um suprimento axial contínuo e robusto torna o esôfago mais suscetível à isquemia após mobilizações cirúrgicas extensas, como na esofagectomia, onde a preservação de colaterais e a técnica de anastomose são críticas para prevenir deiscências e necroses do conduto transposto.
O conhecimento detalhado da anatomia vascular do esôfago distal é indispensável para o sucesso de diversas intervenções cirúrgicas e endoscópicas. Em procedimentos como a fundoplicatura de Nissen para doença do refluxo gastroesofágico ou a cardiomiotomia de Heller para acalasia, o cirurgião trabalha diretamente na região suprida pela artéria gástrica esquerda e frênicas inferiores. A lesão inadvertida desses vasos pode resultar em hematomas retroperitoneais ou comprometer a cicatrização da miotomia. Além disso, na endoscopia terapêutica, a localização da artéria gástrica esquerda é fundamental para o tratamento de úlceras pépticas sangrentas na pequena curvatura e para a compreensão da hemodinâmica das varizes gástricas e esofágicas, que drenam para o sistema porta através dessas mesmas vias venosas correspondentes.
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