HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2026
Assinale a alternativa que apresenta a condição conhecida como vasa prévia na gestação:
Vasos fetais sobre o colo + rotura de membranas → Hemorragia fetal grave e imediata.
A vasa prévia é uma condição rara, mas crítica, onde vasos fetais desprotegidos pela geleia de Wharton cruzam o orifício interno do colo, gerando risco de exsanguinação fetal rápida após a amniorrexe.
A vasa prévia ocorre em aproximadamente 1 em cada 2.500 a 5.000 gestações. Sua fisiopatologia está intimamente ligada a anomalias de placentação, como a inserção velamentosa do cordão umbilical, onde os vasos umbilicais se separam antes de atingir a placenta e viajam desprotegidos pelas membranas, ou em placentas bilobadas e sucenturiadas, onde os vasos de conexão entre os lobos cruzam o colo. Clinicamente, a tríade clássica de vasa prévia rompida consiste em: amniorrexe (espontânea ou artificial), sangramento vaginal indolor e bradicardia fetal imediata (ou padrão sinusoidal no CTG). Devido à alta mortalidade fetal (até 60% se não diagnosticada previamente), o rastreio ultrassonográfico em populações de risco é a estratégia mais eficaz para permitir o planejamento do parto cesáreo e a sobrevida neonatal.
O diagnóstico padrão-ouro é realizado através da ultrassonografia transvaginal com mapeamento de fluxo por Doppler colorido. Durante o exame, identifica-se a presença de vasos lineares ou tubulares que cruzam o orifício interno do colo uterino, localizados abaixo da apresentação fetal. É fundamental diferenciar esses vasos de alças de cordão umbilical livres (cordão procumbente), o que é feito observando se os vasos permanecem fixos na mesma posição mesmo com a mobilização fetal ou mudança de decúbito materno. O rastreio é especialmente indicado em gestações com inserção velamentosa do cordão, placenta de inserção baixa ou placentas sucenturiadas.
A conduta em casos de vasa prévia diagnosticada antenatalmente visa evitar a rotura espontânea das membranas e o início do trabalho de parto, que resultariam em rotura vascular e morte fetal. Recomenda-se o acompanhamento rigoroso, muitas vezes com internação hospitalar entre 30 e 34 semanas para monitoramento fetal contínuo e administração de corticosteroides para maturação pulmonar fetal. O parto deve ser realizado obrigatoriamente por cesariana eletiva, geralmente agendada entre a 34ª e 36ª semana de gestação, antes que ocorra a amniorrexe, garantindo a integridade dos vasos fetais e a sobrevida do neonato.
Diferente da placenta prévia ou do descolamento prematuro de placenta, onde o sangramento é predominantemente de origem materna (espaço interviloso ou decídua), na vasa prévia os vasos que se rompem são vasos fetais que correm pelas membranas amnióticas sem a proteção do cordão umbilical ou do tecido placentário. Como o volume sanguíneo total de um feto a termo é pequeno (aproximadamente 80-100 ml/kg), a perda de uma quantidade que seria insignificante para a mãe pode levar ao choque hipovolêmico fetal, anemia grave e óbito em poucos minutos, tornando a condição uma das mais dramáticas emergências obstétricas.
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