SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2020
No que se refere às hemorragias durante a gestação e considerando os conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir. Sangramento vivo e indolor que ocorre após amniotomia, associado a sofrimento fetal grave e precoce, corresponde à rotura de vasa prévia, quadro grave de sangramento de origem fetal.
Sangramento vivo, indolor pós-amniotomia + sofrimento fetal grave/precoce = Rotura de vasa prévia (origem fetal).
A rotura de vasa prévia é uma emergência obstétrica caracterizada pelo sangramento de vasos fetais desprotegidos que cruzam o orifício interno do colo uterino. O sangramento é tipicamente vivo, indolor e ocorre após a rotura das membranas (espontânea ou amniotomia), sendo acompanhado por sinais de sofrimento fetal agudo devido à perda sanguínea fetal.
A vasa prévia é uma condição obstétrica rara, mas extremamente grave, na qual os vasos sanguíneos fetais desprotegidos (não envolvidos por tecido placentário ou cordão umbilical) cruzam o orifício interno do colo uterino, situando-se entre a apresentação fetal e o colo. Essa anomalia representa um risco significativo de hemorragia fetal e morte perinatal, especialmente quando as membranas se rompem. O quadro clínico clássico de rotura de vasa prévia envolve sangramento vaginal vivo e indolor que ocorre após a rotura das membranas amnióticas (seja espontânea ou por amniotomia iatrogênica). O aspecto mais alarmante é o rápido desenvolvimento de sofrimento fetal grave, manifestado por bradicardia fetal persistente ou padrão sinusoidal na cardiotocografia, devido à perda sanguínea de origem fetal. A quantidade de sangue materno pode ser pequena, mas a perda de apenas 30-60 mL de sangue fetal pode ser fatal para o neonato. O diagnóstico pré-natal por ultrassonografia com Doppler colorido é crucial para identificar a vasa prévia e planejar o parto por cesariana eletiva antes da rotura das membranas, melhorando drasticamente o prognóstico fetal. Na ausência de diagnóstico pré-natal, a suspeita clínica durante o trabalho de parto, especialmente após a amniotomia, exige uma cesariana de emergência imediata para tentar salvar o feto. Residentes devem estar cientes dessa emergência para um manejo rápido e eficaz.
Fatores de risco incluem placenta prévia, inserção velamentosa do cordão umbilical, placenta bilobada ou succenturiata, fertilização in vitro e gestações múltiplas.
O diagnóstico pré-natal é feito por ultrassonografia transvaginal com Doppler colorido, que pode identificar os vasos fetais cruzando o orifício interno do colo uterino.
A conduta imediata é a cesariana de emergência para salvar a vida do feto, devido ao risco de exanguinação fetal rápida. A reanimação neonatal e a transfusão sanguínea fetal podem ser necessárias.
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