UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2024
Mulher, 19a, terceiro dia de puerpério, procura Unidade Básica de Saúde referindo aparecimento de lesões pruriginosas pelo corpo há dois dias, com piora progressiva. Exame físico: presença de pápulas, vesículas e raras crostas em tronco, face e membros. Recém-nascido, 72h de vida, assintomático, em aleitamento materno exclusivo, exame físico sem alterações. Antecedentes perinatais: oito consultas de pré-natal; gravidez e parto vaginal sem intercorrências; peso ao nascimento=3.520g; Apgar=9-10; Capurro=39semanas. CONSIDERANDO A DOENÇA MATERNA, A CONDUTA PARA O RECÉM-NASCIDO É:
Varicela materna no puerpério → RN exposto: avaliar necessidade de VZIG e/ou Aciclovir.
A presença de lesões vesiculares pruriginosas em puerpério sugere varicela. Se a mãe desenvolve varicela entre 5 dias antes e 2 dias após o parto, o RN tem alto risco de varicela neonatal grave e deve receber imunoglobulina (VZIG) e/ou aciclovir, mesmo assintomático.
A varicela é uma infecção viral comum na infância, mas quando ocorre na gestação ou no puerpério, pode ter implicações sérias para o recém-nascido. O caso clínico descreve uma mãe no terceiro dia de puerpério com lesões vesiculares pruriginosas, um quadro altamente sugestivo de varicela. A transmissão vertical do vírus varicela-zoster para o feto ou recém-nascido é uma preocupação importante. O período crítico para o recém-nascido é quando a mãe desenvolve varicela entre 5 dias antes e 2 dias após o parto. Nesse cenário, não há tempo hábil para a mãe produzir e transferir anticorpos protetores para o feto via placenta, resultando em um recém-nascido altamente suscetível à varicela neonatal grave. A conduta essencial para o recém-nascido assintomático exposto é a administração de Imunoglobulina Varicela Zoster (VZIG) nas primeiras 96 horas de vida para profilaxia passiva. Além da VZIG, o recém-nascido deve ser monitorado de perto para o desenvolvimento de sintomas. Em alguns protocolos, pode-se considerar o uso de aciclovir profilático ou terapêutico, dependendo da gravidade da exposição e do estado clínico do bebê. O aleitamento materno é geralmente encorajado, pois os anticorpos maternos presentes no leite podem oferecer alguma proteção, e a mãe deve ser orientada sobre medidas de higiene para evitar a transmissão por contato direto.
Se a mãe desenvolve varicela entre 5 dias antes e 2 dias após o parto, o RN tem alto risco de varicela neonatal grave, com mortalidade significativa, devido à ausência de transferência de anticorpos maternos protetores.
O recém-nascido deve receber imunoglobulina contra varicela zoster (VZIG) o mais rápido possível (idealmente nas primeiras 96h de vida) e ser monitorado. Em alguns casos, pode ser indicado aciclovir profilático ou terapêutico.
Não, o aleitamento materno não é contraindicado. A mãe deve manter medidas de higiene e, se houver lesões nas mamas, cobri-las. Os anticorpos maternos presentes no leite podem oferecer alguma proteção ao bebê.
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