Varicela em Crianças: Manejo e Prevenção de Complicações

HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2023

Enunciado

Criança, 6 anos, consulta por apresentar lesões em várias partes do corpo e febre moderada há um dia. As lesões surgem como manchas e transformam-se em bolhas, com coceira intensa. Tem diagnóstico de asma de difícil controle, necessitando cursos periódicos de corticoterapia oral. Ao exame, encontra-se em regular estado geral, tem curva de IMC abaixo do Escore Z (-3), com temperatura de 38,5°C, tendo sido medicada com um comprimido de ácido acetil salicílico há 1 hora. Apresenta lesões disseminadas em toda a superfície cutânea, em várias fases de evolução (de máculas a pústulas com crostas), com evidências de coçadura. Convive com irmão hígido, de 12 meses, que recebeu as vacinas regulares apenas até os nove meses. Em relação ao caso descrito e à hipótese diagnóstica mais provável, afirma-se:I. A paciente deve iniciar com aciclovir oral imediatamente.II. O uso de ácido acetil salicílico está contraindicado, por possibilidade de aumento do risco de desenvolvimento de síndrome de Reye.III. Está indicada a vacinação específica para o irmão imediatamente ou até no máximo 5 dias pós-exposição. Estão corretas as afirmativas

Alternativas

  1. A) I e II, apenas.
  2. B) I e III, apenas.
  3. C) II e III, apenas.
  4. D) I, II e III.

Pérola Clínica

Varicela em imunocomprometidos → Aciclovir imediato; AAS contraindicado (Síndrome de Reye); Profilaxia pós-exposição para contatos suscetíveis.

Resumo-Chave

A varicela em crianças imunocomprometidas (como as em uso crônico de corticoides) pode ser grave, justificando o uso imediato de aciclovir oral. O ácido acetilsalicílico é contraindicado na varicela devido ao risco de Síndrome de Reye. Contatos suscetíveis devem receber profilaxia pós-exposição com vacina ou imunoglobulina, dependendo do tempo e status imunológico.

Contexto Educacional

A varicela, causada pelo vírus Varicela-Zoster (VVZ), é uma doença exantemática comum na infância, caracterizada por lesões cutâneas pruriginosas em diferentes estágios de evolução. Embora geralmente benigna em crianças saudáveis, pode ser grave em grupos de risco, como imunocomprometidos, neonatos e adolescentes. A paciente do caso, com asma de difícil controle e uso periódico de corticoterapia oral, é considerada imunocomprometida, o que aumenta o risco de complicações. O diagnóstico da varicela é clínico, baseado no exantema característico. Em pacientes de risco, como a criança do caso, o tratamento com aciclovir oral deve ser iniciado imediatamente, idealmente nas primeiras 24 horas do surgimento das lesões, para reduzir a gravidade e a duração da doença, além de prevenir complicações. É crucial evitar o uso de ácido acetilsalicílico (AAS) para febre ou dor em crianças com varicela, devido ao risco de Síndrome de Reye, uma encefalopatia hepática grave. A profilaxia pós-exposição é fundamental para contatos suscetíveis. Para o irmão lactente de 12 meses, que não completou o esquema vacinal e é suscetível, a vacinação específica contra varicela é indicada se realizada em até 3-5 dias após a exposição. Em casos de imunocomprometidos ou lactentes muito jovens, a imunoglobulina antivaricela (VZIG) pode ser a escolha. A vacina contra varicela é altamente eficaz na prevenção da doença e suas complicações.

Perguntas Frequentes

Quando o aciclovir oral é indicado para varicela em crianças?

O aciclovir oral é indicado para crianças com varicela que apresentam risco aumentado de doença grave, como imunocomprometidos (uso de corticoides, asma grave), adolescentes (>12 anos), ou aqueles com doenças cutâneas crônicas ou pulmonares. Deve ser iniciado nas primeiras 24 horas do rash.

Qual a relação entre ácido acetilsalicílico e varicela?

O ácido acetilsalicílico (AAS) é contraindicado para o controle da febre ou dor em crianças com varicela devido ao risco de desenvolver a Síndrome de Reye, uma condição rara, mas grave, que afeta o fígado e o cérebro.

Como é feita a profilaxia pós-exposição para varicela em contatos suscetíveis?

A profilaxia pós-exposição para varicela em contatos suscetíveis (não vacinados, sem histórico de doença) pode ser feita com a vacina contra varicela, se aplicada em até 3-5 dias após a exposição. Para imunocomprometidos ou lactentes, a imunoglobulina antivaricela (VZIG) é preferível.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo