UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2025
Criança, 12 meses de vida, é trazida pelos pais ao pronto-socorro pediátrico, com história de, há 5 dias, ter iniciado quadro de febre (duração de 3 dias) e, há 2 dias, ter iniciado aparecimento de lesões cutâneas em face, que progrediram para tronco, com algumas lesões em mucosa oral. No exame físico, a criança estava em bom estado geral, com lesões maculares, vesiculares e pustulares em face, tronco, com algumas máculas em braços e coxas. Também apresentava gânglios aumentados em cadeias cervicais e axilares e algumas vesículas em cavidade oral. O restante do exame físico é normal. A criança é previamente hígida, não possui comorbidade e o calendário vacinal do Programa Nacional de Imunizações (PNI) brasileiro estava atualizado. A respeito desse caso clínico, assinale a alternativa correta.
Varicela: diagnóstico clínico por polimorfismo regional (lesões em diferentes estágios); tratamento sintomático para maioria.
A varicela é uma doença exantemática viral cujo diagnóstico é predominantemente clínico, caracterizado pelo polimorfismo regional das lesões (máculas, pápulas, vesículas e crostas coexistindo). O tratamento para crianças previamente hígidas é sintomático, visando aliviar o prurido e prevenir infecções bacterianas secundárias das lesões.
A varicela, ou catapora, é uma doença infecciosa altamente contagiosa causada pelo vírus Varicela-Zóster (VVZ), comum na infância. Apesar da existência de vacina no calendário do Programa Nacional de Imunizações (PNI) aos 15 meses, casos ainda ocorrem, seja por falha vacinal, não vacinação ou em faixas etárias que ainda não receberam a dose. O reconhecimento do quadro clínico é fundamental para o diagnóstico e manejo adequado, evitando complicações e uso desnecessário de antivirais. O quadro clínico da varicela é caracterizado por um pródromo de febre baixa, mal-estar e anorexia, seguido pelo aparecimento de um exantema pruriginoso que evolui de máculas para pápulas, vesículas e, finalmente, crostas. O 'polimorfismo regional', ou seja, a coexistência de lesões em diferentes estágios de evolução na mesma área do corpo, é um achado patognomônico. As lesões geralmente iniciam-se no tronco e face, espalhando-se para as extremidades, podendo acometer mucosas. O tratamento da varicela em crianças previamente hígidas é primariamente sintomático, focado no alívio do prurido (anti-histamínicos) e na prevenção de infecções bacterianas secundárias das lesões (higiene, antissépticos tópicos). O uso de antivirais como o aciclovir é reservado para grupos de risco, como imunocomprometidos, adolescentes, adultos, gestantes ou casos graves, devido ao risco de complicações. É importante orientar os pais sobre o isolamento da criança para evitar a disseminação da infecção.
O diagnóstico da varicela é essencialmente clínico, baseado na história de exposição e nas características das lesões cutâneas. O achado mais distintivo é o 'polimorfismo regional', onde lesões em diferentes estágios de evolução (máculas, pápulas, vesículas e crostas) coexistem na mesma área do corpo, com distribuição centrípeta (mais no tronco e face).
Para crianças previamente hígidas, o tratamento da varicela é sintomático. Inclui o uso de antitérmicos (paracetamol), anti-histamínicos para aliviar o prurido e medidas de higiene local (banhos com água e sabão, antissépticos suaves) para prevenir infecções bacterianas secundárias das lesões. O aciclovir não é rotineiramente indicado para casos não complicados em crianças saudáveis.
Não, a vacinação contra varicela, mesmo com o calendário em dia, não previne 100% da doença. A vacina confere alta proteção, mas casos atenuados ou 'breakthrough' podem ocorrer, geralmente com menos lesões e menor gravidade. No PNI, a vacina é aplicada aos 15 meses de idade, então uma criança de 12 meses ainda não teria recebido a dose.
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