UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025
Em pacientes com choque e ventilados mecanicamente, no modo volume controlado, podese afirmar que a medida dinâmica que sugere, com maior acurácia, uma resposta positiva a fluidoterapia é uma variação durante o ciclo respiratório de:
VVS > 12% em ventilação controlada → alta acurácia para predizer resposta a volume.
Medidas dinâmicas baseadas na interação coração-pulmão superam parâmetros estáticos (como PVC) na avaliação da fluiderresponsividade em pacientes críticos.
A avaliação da fluiderresponsividade é um pilar no manejo do choque circulatório. O objetivo é identificar pacientes que aumentarão o volume sistólico em pelo menos 10-15% após a administração de fluidos, evitando a sobrecarga hídrica deletéria em não-respondedores. A Variação do Volume Sistólico (VVS) destaca-se como uma das medidas mais acuradas nesse cenário. A fisiopatologia envolve a redução cíclica da pré-carga do VD pela pressão positiva inspiratória, que se traduz em queda do enchimento do VE e do volume sistólico após o tempo de trânsito pulmonar. Em pacientes 'dependentes de pré-carga', essa oscilação é ampla. Valores de VVS acima de 12% sugerem fortemente que o paciente se beneficiará de expansão volêmica, otimizando a entrega de oxigênio aos tecidos.
A VVS é um índice dinâmico que reflete a variação percentual entre o volume sistólico máximo e mínimo durante um ciclo respiratório em pacientes sob ventilação mecânica invasiva. Ela se baseia na interação cardiopulmonar: durante a inspiração por pressão positiva, ocorre um aumento da pressão intratorácica que reduz o retorno venoso (pré-carga do ventrículo direito) e, consequentemente, o débito do ventrículo esquerdo após alguns batimentos. Se o coração está operando na porção ascendente da curva de Frank-Starling (dependente de pré-carga), essa variação será acentuada (>12-13%), indicando que o paciente responderá ao volume.
Para que a VVS seja um preditor acurável de fluiderresponsividade, o paciente deve preencher critérios rigorosos: estar em ventilação mecânica controlada (sem esforços inspiratórios), com volume corrente de pelo menos 8 mL/kg de peso ideal, ritmo cardíaco sinusal (sem arritmias) e tórax fechado. Arritmias como fibrilação atrial tornam a variação do volume sistólico errática, enquanto volumes correntes baixos ou esforços do paciente geram variações de pressão intratorácica insuficientes ou inconsistentes para uma leitura confiável.
A Pressão Venosa Central (PVC) é um parâmetro estático que reflete a pressão no átrio direito, mas não indica se o ventrículo é capaz de aumentar o débito cardíaco em resposta a um desafio de volume. Estudos demonstram que a PVC não tem correlação confiável com a fluiderresponsividade. Já os parâmetros dinâmicos, como a VVS e a Variação da Pressão de Pulso (VPP), testam a reserva funcional do coração através da variação cíclica da pré-carga imposta pela ventilação, sendo muito mais precisos para guiar a terapia com fluidos no choque.
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