PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2025
RN sexo masculino, 24 horas de vida, nascido de parto vaginal, com 35 semanas, mãe fez pré-natal irregular. Ficou em observação no berçário porque começou a apresentar taquipneia. Os profissionais de enfermagem relataram que ele evacuou, mas a cada troca de fralda teve pouca ou nenhuma diurese. Foi solicitada ecografia abdominal que demonstrou ureterohidronefrose bilateral e bexiga de paredes espessadas.Qual a principal suspeita?
RN masculino com ureterohidronefrose bilateral + bexiga espessada + oligúria → Válvula de Uretra Posterior (VUP).
A Válvula de Uretra Posterior é a causa mais comum de obstrução grave do trato urinário inferior em recém-nascidos do sexo masculino, levando a ureterohidronefrose bilateral e bexiga espessada devido ao esforço para micção, com manifestações como oligúria e, por vezes, desconforto respiratório.
A Válvula de Uretra Posterior (VUP) é a causa mais comum de obstrução grave do trato urinário inferior em recém-nascidos do sexo masculino, com uma incidência de aproximadamente 1:5.000 a 1:8.000 nascidos vivos. É uma condição congênita que se forma durante o desenvolvimento embrionário, caracterizada por membranas na uretra posterior que impedem o fluxo urinário normal da bexiga. A importância clínica reside no potencial de causar danos renais irreversíveis e disfunção vesical se não for diagnosticada e tratada precocemente. A fisiopatologia da VUP envolve a obstrução do fluxo urinário, resultando em aumento da pressão na bexiga, ureteres e rins. Isso leva a ureterohidronefrose bilateral, espessamento da parede da bexiga e, em casos graves, displasia renal. Os sinais clínicos podem ser detectados no pré-natal (oligoidrâmnio, hidronefrose fetal) ou pós-natal, como no caso descrito, com taquipneia (devido à hipoplasia pulmonar secundária ao oligoidrâmnio), pouca diurese e achados ultrassonográficos de ureterohidronefrose bilateral e bexiga espessada. O tratamento da VUP é cirúrgico, geralmente por ablação endoscópica da válvula. O prognóstico depende da gravidade da lesão renal no momento do diagnóstico e da presença de hipoplasia pulmonar. O manejo pós-operatório é crucial para preservar a função renal e vesical, podendo incluir acompanhamento urológico e nefrológico a longo prazo. É fundamental o diagnóstico precoce para minimizar as complicações e melhorar o prognóstico.
A ultrassonografia pode revelar ureterohidronefrose bilateral, bexiga de paredes espessadas e trabeculadas, dilatação da uretra posterior e, em casos graves, displasia renal.
A VUP pode levar à insuficiência renal e oligoidrâmnio intraútero, resultando em hipoplasia pulmonar, que se manifesta como taquipneia e desconforto respiratório após o nascimento.
O tratamento inicial envolve a estabilização do paciente, correção de distúrbios hidroeletrolíticos e desobstrução da uretra, geralmente por cateterismo vesical ou cistoscopia com ablação da válvula.
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