Multivix - Faculdade Multivix Vitória (ES) — Prova 2020
Uma gestante é admitida no hospital em trabalho de parto. Trata-se de um bebê do sexo masculino. A mãe traz um ultrassom, realizado durante a gravidez, com evidências de moderada dilatação de pelve renal bilateral e bexiga com paredes espessadas. Nos primeiros dias após o nascimento notou-se globo vesical palpável e jato urinário fino e entrecortado tipo gotejamento. Qual é a mal-formação do trato urinário mais provável?
RN masculino com hidronefrose bilateral, bexiga espessada e jato urinário fraco → Válvula de Uretra Posterior (VUP).
A Válvula de Uretra Posterior (VUP) é a causa mais comum de obstrução infravesical grave em recém-nascidos do sexo masculino. Os achados clínicos e ultrassonográficos descritos são patognomônicos, indicando a necessidade de intervenção urológica precoce para preservar a função renal.
A Válvula de Uretra Posterior (VUP) é a causa mais comum de obstrução do trato urinário inferior em recém-nascidos do sexo masculino, com uma incidência de aproximadamente 1 em 5.000 a 8.000 nascidos vivos. É uma condição grave que, se não diagnosticada e tratada precocemente, pode levar a disfunção vesical, hidronefrose bilateral, displasia renal e, em casos extremos, insuficiência renal crônica terminal. A suspeita pode surgir no pré-natal através de ultrassonografia fetal que revela oligodrâmnio, hidronefrose bilateral, bexiga dilatada e espessada, ou no pós-natal com achados como globo vesical palpável e jato urinário fraco. A fisiopatologia envolve a presença de membranas na uretra posterior que impedem o fluxo normal de urina, causando aumento da pressão na bexiga, ureteres e rins. Isso leva à hipertrofia e disfunção da bexiga, dilatação dos ureteres (megaureter) e hidronefrose, que pode resultar em dano parenquimatoso renal. O diagnóstico é confirmado por uretrocistografia miccional (UCM), que demonstra a dilatação da uretra posterior e as válvulas. O tratamento inicial geralmente envolve a estabilização do paciente e a derivação urinária temporária, se necessário, seguida pela ablação endoscópica das válvulas. O prognóstico depende da gravidade da lesão renal ao diagnóstico e da resposta ao tratamento. O acompanhamento a longo prazo é essencial para monitorar a função renal e vesical, pois muitos pacientes podem desenvolver bexiga neurogênica e necessitar de cateterismo intermitente ou outras intervenções para manter a saúde do trato urinário.
Os principais sinais incluem hidronefrose bilateral, bexiga com paredes espessadas e dilatada (globo vesical palpável), e um jato urinário fino, fraco e entrecortado. Esses achados podem ser detectados no ultrassom pré-natal ou no exame físico pós-natal.
A VUP é uma malformação congênita que ocorre exclusivamente em indivíduos do sexo masculino devido à anatomia da uretra posterior, onde as válvulas se formam, obstruindo o fluxo urinário da bexiga para o exterior.
O diagnóstico e tratamento precoces da VUP são cruciais para prevenir danos renais irreversíveis, como insuficiência renal crônica, e disfunção vesical. A desobstrução cirúrgica é fundamental para preservar a função do trato urinário.
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