HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2022
Um pediatra recebe, em seu consultório, um menino, 4 anos, com história de disúria, urina escura e febre há 2 dias. Tentando ajudar na sua hipótese diagnóstica, solicita um sumário de urina, que evidencia: pH 6, densidade 1030, nitrito positivo, leucoesterase 3+, leucócitos > 100 p/c e hemácias 30 p/c. Ao receber a prescrição do antibiótico, a mãe relata que a criança "vive tomando antibiótico pro xixi", sempre tem muita dificuldade para urinar e se espreme muito "para mijar". Tentando entender melhor o caso, o pediatra interroga a mãe e descobre que, durante o pré-natal, uma USG obstétrica mostrou dilatação pielocalicial bilateral com bexiga distendida e oligoâmnio. De acordo com o caso clínico, a principal hipótese diagnóstica é:
Menino com ITU de repetição, dificuldade miccional, hidronefrose bilateral e bexiga distendida desde o pré-natal → Válvula de uretra posterior.
A válvula de uretra posterior (VUP) é a causa mais comum de uropatia obstrutiva congênita grave em meninos. O quadro clínico de ITUs de repetição, dificuldade miccional e achados pré-natais de hidronefrose bilateral, bexiga distendida e oligoâmnio são altamente sugestivos de VUP. A obstrução na uretra posterior causa refluxo e dano renal progressivo.
A válvula de uretra posterior (VUP) é a anomalia congênita obstrutiva mais comum do trato urinário inferior em meninos, resultando em obstrução do fluxo urinário na uretra posterior. Essa obstrução leva a um aumento da pressão na bexiga, ureteres e rins, causando hidronefrose bilateral, dilatação ureteral e disfunção vesical. O diagnóstico pode ser suspeitado no pré-natal através de ultrassonografia obstétrica que revela hidronefrose bilateral, bexiga distendida e espessada, e oligoâmnio (devido à diminuição da produção de urina fetal). No pós-natal, os meninos podem apresentar infecções do trato urinário (ITU) de repetição, dificuldade miccional (disúria, jato urinário fraco, esforço para urinar), incontinência urinária e, em casos mais graves, insuficiência renal crônica. O sumário de urina com nitrito e leucoesterase positivos, além de piúria e hematúria, confirma a ITU. A confirmação diagnóstica é feita pela uretrocistografia miccional (UCM), que demonstra a presença da válvula e suas consequências. O tratamento é cirúrgico, geralmente por ressecção endoscópica da válvula, visando aliviar a obstrução e preservar a função renal. O acompanhamento a longo prazo é essencial devido ao risco de disfunção vesical e renal persistente.
Achados pré-natais incluem dilatação pielocalicial bilateral (hidronefrose), bexiga distendida e espessada, e oligoâmnio, que resultam da obstrução do fluxo urinário fetal.
Em crianças, pode se manifestar com infecções do trato urinário de repetição, dificuldade miccional (disúria, esforço para urinar), incontinência urinária, e sinais de insuficiência renal crônica em casos avançados.
A uretrocistografia miccional (UCM) é o exame padrão-ouro para o diagnóstico, demonstrando a válvula como uma área de estreitamento na uretra posterior e dilatação proximal.
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