Estenose Mitral Grave: Valvoplastia com Balão e Critérios

UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2022

Enunciado

Paciente jovem de 35 anos, sexo feminino, apresenta-se em atendimento médico com dispneia progressiva em piora progressiva no último ano, estando atualmente em classe funcional III. Ao exame clínico apresenta ritmo cardíaco regular e sopro diastólico no ápex cardíaco de baixa intensidade em ruflar, proto-mesodiastólico. Observa-se o reforço pré-sistólico e o escore de Wilkins-Block é de 7. Diante do diagnóstico de valvopatia mitral grave, qual a conduta terapêutica com melhor indicação pelas diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia?

Alternativas

  1. A) Dilatação do anel de De Vega.
  2. B) Troca cirúrgica da vávula.
  3. C) Angioplastia coronária.
  4. D) Valvoplastia mitral com balão.
  5. E) Revascularização com troca valvar.

Pérola Clínica

Estenose mitral grave com Wilkins-Block ≤ 8 e CF III/IV → Valvoplastia mitral percutânea com balão.

Resumo-Chave

A valvoplastia mitral percutânea com balão é a conduta de escolha para pacientes com estenose mitral grave sintomática (CF III/IV) e anatomia valvar favorável, indicada por um escore de Wilkins-Block ≤ 8. Este procedimento minimamente invasivo oferece bons resultados com menor risco em comparação à cirurgia.

Contexto Educacional

A estenose mitral é uma valvopatia que se caracteriza pelo estreitamento da valva mitral, dificultando o fluxo sanguíneo do átrio esquerdo para o ventrículo esquerdo. Geralmente, é uma sequela da febre reumática e, embora sua incidência tenha diminuído em países desenvolvidos, ainda é prevalente em regiões com menor acesso à saúde. A progressão da doença leva a sintomas como dispneia progressiva, fadiga e, em casos avançados, insuficiência cardíaca direita. O diagnóstico é feito pela clínica e confirmado por ecocardiograma, que também avalia a gravidade e a morfologia valvar. O manejo da estenose mitral grave sintomática depende da anatomia valvar. A valvoplastia mitral percutânea com balão é a terapia de escolha para pacientes com anatomia favorável, ou seja, com valva não muito calcificada, sem insuficiência mitral significativa e com escore de Wilkins-Block baixo (≤ 8). Este procedimento é menos invasivo que a cirurgia e oferece bons resultados a longo prazo. O escore de Wilkins-Block é crucial para a decisão terapêutica, pois prediz o sucesso e as complicações do procedimento. Para residentes, é fundamental compreender os critérios de indicação da valvoplastia com balão e saber interpretar o escore de Wilkins-Block. A escolha da conduta correta (valvoplastia versus cirurgia) impacta diretamente o prognóstico do paciente. Em casos de anatomia desfavorável ou falha da valvoplastia, a troca cirúrgica da valva mitral torna-se necessária. O acompanhamento pós-procedimento é essencial para monitorar a reestenose e outras complicações.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios para indicar a valvoplastia mitral com balão?

Os principais critérios incluem estenose mitral grave sintomática (classe funcional NYHA III ou IV), ausência de calcificação valvar significativa, ausência de insuficiência mitral moderada a grave e um escore de Wilkins-Block ≤ 8, que avalia a anatomia da valva mitral.

O que o escore de Wilkins-Block avalia e qual sua importância?

O escore de Wilkins-Block avalia a mobilidade, espessamento, calcificação e envolvimento do aparelho subvalvar da valva mitral. Um escore baixo (≤ 8) indica anatomia favorável para a valvoplastia com balão, predizendo um bom resultado do procedimento.

Quando a troca cirúrgica da valva mitral seria a melhor opção?

A troca cirúrgica da valva mitral é indicada quando a anatomia valvar é desfavorável para a valvoplastia com balão (escore de Wilkins-Block > 8), na presença de insuficiência mitral significativa associada, ou em casos de falha da valvoplastia.

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