FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2021
Carlos, 62 anos de idade, vai ao seu médico da UBS de referência queixando-se de crises de dor torácica, em aperto, associada a irradiação para o membro superior esquerdo, desencadeadas por esforço físico e que cessam após poucos minutos. Carlos é obeso, sedentário, hipertenso e diabético. Ex- tabagista há 2 anos, após participar do programa de cessação de tabagismo da unidade. Seus filhos já o tinham levado a um cardiologista, que orientou seguir a investigação dos sintomas, com exames complementares. Carlos, no entanto, tem um espírito despreocupado e preferiu perguntar ao seu médico de confiança na UBS. A indicação e a valorização de um exame para fins diagnósticos deverão ser regidas pela relação custo- benefício, levando-se em consideração o valor preditivo pré-teste (VPPT). No caso de Carlos, visto que a prevalência de isquemia miocárdica na sua faixa etária é alta, espera-se:
Alta prevalência de doença → Aumenta o Valor Preditivo Positivo (VPP) de um exame diagnóstico.
Em pacientes com alta probabilidade pré-teste de uma doença (devido a fatores de risco e sintomas típicos), um resultado positivo em um exame diagnóstico terá um alto valor preditivo positivo. Isso significa que a chance de o paciente realmente ter a doença, dado um teste positivo, é elevada.
A interpretação de exames diagnósticos é uma habilidade fundamental na prática médica, e a compreensão dos valores preditivos é crucial para a tomada de decisões clínicas. O Valor Preditivo Positivo (VPP) representa a probabilidade de um paciente realmente ter a doença quando o resultado do seu teste é positivo. Este valor não é fixo para um teste, mas varia de acordo com a prevalência da doença na população em que o teste é aplicado. No caso de Carlos, ele apresenta múltiplos fatores de risco para doença arterial coronariana (DAC), como idade avançada, obesidade, sedentarismo, hipertensão e diabetes, além de sintomas anginosos típicos. Essa combinação eleva significativamente a probabilidade pré-teste de DAC. Quando a probabilidade pré-teste de uma doença é alta, a prevalência da doença na população relevante também é considerada alta. Em cenários de alta prevalência, um teste positivo tem uma maior chance de ser um verdadeiro positivo, resultando em um VPP elevado. Compreender essa relação é vital para evitar diagnósticos errôneos e otimizar o uso de recursos. Em populações com baixa prevalência, mesmo testes com boa sensibilidade e especificidade podem ter um VPP baixo, levando a muitos falsos positivos. Por outro lado, em populações de alta prevalência, como a de Carlos, um teste positivo é mais confiável, justificando a investigação e o tratamento.
O Valor Preditivo Positivo (VPP) é a probabilidade de um indivíduo realmente ter a doença, dado que seu teste diagnóstico resultou positivo. Ele reflete a utilidade clínica de um teste em uma população específica.
Quanto maior a prevalência da doença na população testada (ou a probabilidade pré-teste do paciente), maior será o Valor Preditivo Positivo de um teste. Isso ocorre porque há mais casos verdadeiros positivos para cada falso positivo.
Sensibilidade e especificidade são características do teste (capacidade de detectar doentes e sadios, respectivamente). Valores preditivos (VPP e VPN) são a probabilidade de ter ou não a doença, dado um resultado de teste, e são influenciados pela prevalência da doença.
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