SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2016
Mulher de 35 anos com dor torácica atípica e sem fatores de risco para doença coronariana quer fazer um teste ergométrico para diagnóstico de doença coronariana. Considerando que a sensibilidade e especificidade desse exame são 70% e 80% respectivamente, e que a prevalência de doença coronariana em mulheres na faixa etária de 30 a 40 anos é 1%, é correto afirmar que o exame:
Baixa prevalência da doença → VPP de teste diagnóstico ↓, mesmo com boa S/E.
Em pacientes com baixa probabilidade pré-teste de doença (como uma mulher jovem sem fatores de risco para DAC), um teste diagnóstico com sensibilidade e especificidade moderadas terá um Valor Preditivo Positivo (VPP) muito baixo. Isso significa que um resultado positivo provavelmente será um falso positivo, tornando o exame pouco útil para confirmar a doença e potencialmente levando a investigações desnecessárias.
A indicação de exames diagnósticos na prática clínica deve ser guiada não apenas pelas características intrínsecas do teste (sensibilidade e especificidade), mas também pela probabilidade pré-teste da doença no paciente. A probabilidade pré-teste é influenciada pela prevalência da doença na população à qual o paciente pertence, bem como por seus fatores de risco e sintomas. No caso de uma mulher jovem, sem fatores de risco para doença arterial coronariana (DAC) e com dor torácica atípica, a probabilidade pré-teste de DAC é muito baixa (neste exemplo, 1%). Mesmo com um teste ergométrico que possua sensibilidade e especificidade razoáveis (70% e 80%, respectivamente), o Valor Preditivo Positivo (VPP) será extremamente baixo. Isso significa que, se o teste der positivo, a chance real de a paciente ter DAC é mínima (cerca de 3,4%), sendo muito mais provável que seja um falso positivo. Portanto, a realização do teste ergométrico em pacientes com baixa probabilidade pré-teste é desaconselhada, pois pode levar a resultados falsos positivos, gerando ansiedade desnecessária, custos adicionais e a realização de exames mais invasivos e arriscados (como cateterismo cardíaco) sem benefício real. A decisão de solicitar um exame deve sempre ponderar o benefício diagnóstico versus os riscos e custos, considerando o contexto clínico do paciente e a epidemiologia da doença.
O teste ergométrico é mais bem indicado em pacientes com probabilidade pré-teste intermediária de doença coronariana, onde o resultado do teste pode realmente mudar a probabilidade pós-teste de forma significativa.
Em populações com baixa prevalência da doença, a maioria dos resultados positivos de um teste (mesmo com boa especificidade) tenderá a ser falso positivo, pois há muito mais não doentes do que doentes.
Em pacientes de baixo risco com dor torácica atípica, a investigação inicial deve focar na exclusão de causas não cardíacas e na reavaliação clínica, evitando exames invasivos ou com baixo VPP.
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