INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2017
Um homem com 54 anos de idade, casado, sem história familiar de câncer, solicita ao médico de família e comunidade que o atende em consulta de rotina, em uma Unidade Básica de Saúde, exame de sangue para “checar se tem câncer de próstata”. Tomando como referência que a sensibilidade e a especificidade da dosagem do antígeno prostático específico (PSA) pelo método do laboratório municipal, com ponto de corte em 4 ng/dL, são, respectivamente, 20% e 94%, com valor preditivo positivo de 33%, assinale a opção em que é apresentada a orientação que deve ser dada pelo médico ao paciente acerca do rastreamento de câncer de próstata:
VPP = Probabilidade de doença dado teste (+); 1 - VPP = Probabilidade de falso-positivo.
O Valor Preditivo Positivo (VPP) indica a chance de o paciente realmente ter a doença após um teste positivo. O complementar (1-VPP) representa o risco de biópsias desnecessárias.
A interpretação de testes diagnósticos em medicina preventiva exige o domínio de conceitos bioestatísticos. O Valor Preditivo Positivo (VPP) é a métrica mais relevante para o clínico ao comunicar riscos ao paciente, pois responde à pergunta: 'Doutor, meu exame deu alterado, qual a chance de eu ter a doença?'. Nesta questão, o VPP de 33% implica que 67% dos pacientes com PSA > 4 ng/dL não possuem a neoplasia. Consequentemente, esses pacientes correm o risco de sofrer danos iatrogênicos decorrentes de biópsias desnecessárias, como infecções, sangramentos e ansiedade excessiva. O médico de família deve utilizar esses dados para o compartilhamento de decisões, pesando benefícios e riscos do rastreamento.
O VPP representa a probabilidade de um indivíduo realmente possuir a doença dado que o seu teste resultou positivo. No contexto do PSA, se o VPP é de 33%, significa que apenas 33% dos homens com PSA elevado terão câncer confirmado na biópsia, enquanto os outros 67% representam resultados falso-positivos que podem ser submetidos a procedimentos invasivos desnecessários.
O VPP é diretamente dependente da prevalência da doença na população estudada. Em populações de baixo risco ou assintomáticas (rastreamento populacional), a prevalência é menor, o que tende a reduzir o VPP e aumentar a taxa de falso-positivos, mesmo que a especificidade do teste seja alta.
A sensibilidade de 20% com ponto de corte de 4 ng/dL indica que o teste falha em identificar 80% dos casos de câncer (falso-negativos) se usado isoladamente com esse critério. Isso demonstra as limitações do PSA como ferramenta única de triagem, exigindo correlação clínica e toque retal.
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