UFSC/HU - Hospital Universitário Prof. Polydoro Ernani de São Thiago (SC) — Prova 2016
Assinale a alternativa que completa CORRETAMENTE a frase abaixo. Homem de 62 anos, residente em município de médio porte da Região Sul do Brasil, hipertenso há quatro anos e sem outras doenças diagnosticadas, vai à consulta médica na sua Unidade de Saúde da Família por episódios esporádicos de parestesia e prurido de baixa intensidade em abdome e tronco, sem localização definida e sem que tenha percebido alteração cutânea. Os sintomas começaram há cerca de dois meses e não relaciona seu aparecimento, exacerbação ou remissão a nenhuma atividade ou hora do dia. Perguntado, informa que o pai era diabético e que tem uma irmã diabética. Usa enalapril VO 25 mg/dia. Em consulta de retorno, traz dois resultados de exame de glicemia de jejum, realizados com uma semana de intervalo, mostrando 120 mg/dl e 115 mg/dl, e o médico diagnostica diabetes Mellitus. Entre as alternativas abaixo, a que permite uma avaliação mais acurada sobre a probabilidade de acerto do diagnóstico médico é a que considera a sensibilidade e a especificidade do teste e:
A probabilidade de acerto de um diagnóstico (Valor Preditivo Positivo) depende da sensibilidade, especificidade E da prevalência da doença na população testada.
Para avaliar a acurácia de um diagnóstico, além da sensibilidade e especificidade do teste, é crucial considerar a prevalência da doença na população específica do paciente. Quanto maior a prevalência, maior a probabilidade de um resultado positivo ser um verdadeiro positivo (Valor Preditivo Positivo).
A avaliação da probabilidade de acerto de um diagnóstico é um conceito fundamental em epidemiologia e prática clínica, especialmente para residentes. Não basta conhecer a sensibilidade e especificidade de um teste; é imperativo considerar a prevalência da doença na população em que o paciente está inserido. A prevalência atua como a probabilidade pré-teste, influenciando diretamente o Valor Preditivo Positivo (VPP) e o Valor Preditivo Negativo (VPN). No caso do diagnóstico de Diabetes Mellitus, mesmo com dois resultados de glicemia de jejum alterados (120 mg/dl e 115 mg/dl, que são de pré-diabetes, mas o enunciado diz que o médico diagnosticou diabetes), a probabilidade de acerto do diagnóstico é mais acurada quando se considera a prevalência de diabetes na Área de Saúde da Família do paciente. Isso porque a prevalência local reflete melhor a probabilidade pré-teste do indivíduo do que a prevalência regional ou nacional, que pode ser muito ampla e não específica para o contexto do paciente. A compreensão do VPP e VPN é essencial para evitar diagnósticos errôneos e otimizar a alocação de recursos. Um teste com alta sensibilidade e especificidade pode ter um VPP baixo em uma população com baixa prevalência da doença, resultando em muitos falsos positivos. Portanto, a contextualização epidemiológica é uma ferramenta poderosa para a tomada de decisão clínica e para a interpretação de resultados de exames complementares.
O Valor Preditivo Positivo (VPP) é a probabilidade de um indivíduo realmente ter a doença, dado que seu teste resultou positivo. Ele é crucial porque reflete a chance real de acerto do diagnóstico em um paciente específico, considerando a prevalência da doença.
Em populações com alta prevalência da doença, um teste positivo tem maior probabilidade de ser um verdadeiro positivo (maior VPP). Em populações com baixa prevalência, mesmo um teste com boa sensibilidade e especificidade pode ter um VPP baixo, levando a mais falsos positivos.
O diagnóstico de Diabetes Mellitus pode ser feito com glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL (em duas ocasiões), glicemia casual ≥ 200 mg/dL com sintomas, teste oral de tolerância à glicose ≥ 200 mg/dL ou HbA1c ≥ 6,5%.
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