Prova 2025
Um homem de 58 anos, com histórico de úlcera duodenal refratária ao tratamento medicamentoso há décadas, foi submetido a uma vagotomia troncular (seção dos troncos vagais anterior e posterior) como parte de seu tratamento cirúrgico. Meses após o procedimento, ele retorna ao consultório queixando-se de saciedade precoce e desconforto abdominal logo após o início das refeições, mesmo em pequenas quantidades. Ele relata que 'parece que o estômago está sempre cheio e rígido'. Considerando a fisiologia da motilidade gástrica, qual mecanismo foi primariamente comprometido pela intervenção cirúrgica para gerar esses sintomas?
A vagotomia troncular, embora reduza a secreção ácida (objetivo original para úlceras), frequentemente resulta em disfunções motoras, como a perda da acomodação gástrica e o retardo do esvaziamento de sólidos (gastroparesia iatrogênica).
A vagotomia troncular, historicamente utilizada no tratamento da doença ulcerosa péptica refratária, envolve a secção dos troncos vagais anterior e posterior. Embora reduza a secreção ácida, essa intervenção tem consequências significativas na motilidade gástrica, especialmente na função de reservatório do estômago proximal. O nervo vago é o principal mediador do relaxamento receptivo e da acomodação gástrica, processos que permitem a ingestão de refeições sem desconforto. Fisiopatologicamente, a ausência de inervação vagal impede que o fundo e o corpo gástrico relaxem em resposta à chegada do bolo alimentar. Isso resulta em um aumento abrupto da pressão intragástrica mesmo com volumes pequenos, ativando mecanorreceptores que sinalizam saciedade precoce e plenitude pós-prandial ao sistema nervoso central. Além disso, a vagotomia troncular frequentemente exige um procedimento de drenagem (como piloroplastia) devido à perda da coordenação antral e retardo no esvaziamento de sólidos. Na prática clínica atual, a vagotomia troncular é menos comum devido à eficácia dos inibidores de bomba de prótons e do tratamento do H. pylori, mas permanece um conceito fundamental em provas de residência para testar o conhecimento de fisiologia cirúrgica. O reconhecimento desses sintomas pós-operatórios é crucial para o manejo dietético e acompanhamento de pacientes submetidos a cirurgias gástricas.
O relaxamento receptivo ocorre no momento da deglutição (antecipatório), enquanto a acomodação ocorre quando o alimento realmente distende as paredes gástricas.
Principalmente Óxido Nítrico (NO) e Peptídeo Intestinal Vasoativo (VIP).
A saciedade precoce deve-se à alta pressão no fundo (falta de acomodação), enquanto a lentificação do esvaziamento deve-se à perda do bombeamento antral coordenado pelo vago.
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