Vagotomia e Tratamento Cirúrgico da Úlcera Péptica

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2024

Enunciado

Se o tratamento medicamentoso tiver sido o ideal preconizado, uma úlcera péptica persistente pode ser considerada intratável, e é indicado o tratamento cirúrgico. Uma das opções é a vagotomia. Sobre esse tema, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) A denervação vagal da área das células parietais no estômago é denominada vagotomia de células parietais ou vagotomia gástrica proximal, na qual os principais nervos de Latarjet são seccionados.
  2. B) O método de drenagem mais frequentemente escolhido é a gastrojejunostomia; a técnica de Heineke-Mikulicz é utilizada com menos frequência.
  3. C) A consequente denervação vagal da musculatura gástrica pode produzir atraso no esvaziamento do estômago; por esse motivo, indica-se a realização de uma piloroplastia.
  4. D) A vagotomia de células parietais tem maior efetividade da vagotomia troncular ou seletiva, e diarreia e dumping são mais frequentes.
  5. E) A taxa de recidiva após vagotomia troncular é duas vezes maior nos pacientes com úlcera duodenal.

Pérola Clínica

Vagotomia Troncular → Perda da motilidade antral → Exige procedimento de drenagem (Piloroplastia).

Resumo-Chave

A vagotomia troncular causa denervação motora do estômago, resultando em estase gástrica; por isso, deve ser sempre acompanhada de uma piloroplastia ou antrectomia.

Contexto Educacional

O tratamento cirúrgico da úlcera péptica tornou-se menos comum após o advento dos inibidores de bomba de prótons e do tratamento do H. pylori, sendo reservado para casos de intratabilidade, recidivas persistentes ou complicações (perfuração, obstrução, hemorragia). A vagotomia visa reduzir a secreção ácida através da interrupção do estímulo vagal. Existem três tipos principais: 1) Troncular: secciona os troncos vagais no esôfago distal; 2) Seletiva: secciona os nervos gástricos anterior e posterior após os ramos hepático e celíaco; 3) Superseletiva (células parietais): denerva apenas a área secretora de ácido. A troncular é a mais simples, mas possui as maiores taxas de efeitos colaterais digestivos, exigindo obrigatoriamente a piloroplastia para permitir o esvaziamento gástrico.

Perguntas Frequentes

Por que a vagotomia troncular exige piloroplastia?

A vagotomia troncular secciona os troncos principais do nervo vago, o que interrompe a estimulação parassimpática não apenas das células parietais (ácido), mas também da musculatura antral e do esfíncter pilórico. Isso causa atonia gástrica e falha no relaxamento do piloro, levando à estase gástrica severa se um procedimento de drenagem, como a piloroplastia, não for realizado.

O que é a vagotomia de células parietais (superseletiva)?

É a técnica que denerva apenas os dois terços proximais do estômago (onde estão as células parietais), preservando os ramos celíacos, hepáticos e os nervos de Latarjet (ramos terminais que suprem o antro e o piloro). Como a função motora do antro é preservada, não há necessidade de procedimento de drenagem.

Quais as principais complicações da vagotomia troncular?

As complicações mais comuns incluem a Síndrome de Dumping (devido ao esvaziamento gástrico rápido de líquidos após a piloroplastia), diarreia pós-vagotomia, gastrite por refluxo alcalino e maior risco de cálculos biliares (devido à denervação da vesícula biliar).

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