FAA/UNIFAA - Hospital Escola Luiz Gioseffi Jannuzzi (RJ) — Prova 2015
Entre as alterações fisiológicas causadas pela vagotomia troncular, pode-se citar:
Vagotomia troncular → ↓ estímulo colinérgico → ↓ secreção ácida gástrica.
A vagotomia troncular consiste na secção dos troncos vagais principais, resultando na interrupção do estímulo colinérgico (via acetilcolina) para as células parietais do estômago. Isso leva a uma redução significativa da secreção de ácido clorídrico, sendo um tratamento histórico para úlceras pépticas refratárias.
A vagotomia troncular é um procedimento cirúrgico que envolve a secção completa dos troncos vagais principais, que inervam o estômago, fígado, pâncreas e intestino delgado. Historicamente, foi uma das principais abordagens para o tratamento de úlceras pépticas refratárias, especialmente as duodenais, antes do advento dos inibidores da bomba de prótons e da erradicação do H. pylori. Sua importância clínica reside na compreensão da fisiologia da secreção gástrica. Fisiologicamente, o nervo vago exerce um papel crucial na fase cefálica e gástrica da secreção de ácido clorídrico. Ele libera acetilcolina, que atua diretamente nas células parietais, estimulando a secreção ácida, e também estimula a liberação de gastrina pelas células G. A vagotomia troncular, ao cortar esses nervos, elimina o estímulo colinérgico direto e indireto, resultando em uma redução significativa da produção de ácido. Embora eficaz na redução da acidez, a vagotomia troncular é associada a efeitos colaterais importantes devido à denervação de outras estruturas. Por isso, foi amplamente substituída por tratamentos menos invasivos. No entanto, o entendimento de suas alterações fisiológicas é fundamental para a compreensão da fisiologia gastrointestinal e para a avaliação de outras técnicas cirúrgicas que visam a redução da secreção ácida, como a vagotomia superseletiva.
O principal objetivo da vagotomia troncular é reduzir drasticamente a secreção de ácido clorídrico pelas células parietais do estômago, diminuindo assim a agressividade do suco gástrico e promovendo a cicatrização de úlceras pépticas refratárias ao tratamento clínico.
O nervo vago, através de fibras colinérgicas, estimula diretamente as células parietais a secretar ácido e também estimula as células G a liberar gastrina, que por sua vez estimula as células parietais. A vagotomia interrompe essa via de estimulação.
Devido à denervação completa do estômago, a vagotomia troncular pode levar a complicações como esvaziamento gástrico retardado (gastroparesia), diarreia pós-vagotomia e síndrome de dumping, necessitando frequentemente de um procedimento de drenagem (piloroplastia ou gastrojejunostomia).
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