Vaginose Citolítica: Diagnóstico e Manejo da Vulvovaginite

UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2021

Enunciado

Paciente de 31 anos, procura consultório do ginecologista com queixa de ardor e prurido vulvar recorrentes. Refere secreção esbranquiçada discreta. Informa várias consultas anteriores com uso de cremes vaginais e com melhora apenas temporária. Realizou cultura da secreção vaginal para fungos, tendo sido o resultado negativo. Ao exame especular secreção branca discreta e homogênea. pH vaginal <4,5 e ausência de sinais de colpite. A citologia oncótica mostrou reação inflamatória leve e flora de lactobacilos. Qual alternativa melhor caracteriza a possível hipótese diagnóstica?

Alternativas

  1. A) Tricomoníase subclínica, sendo indicado teste terapêutico com metronidazol, inclusive para o parceiro.
  2. B) Candidíase recorrente, uma vez que a clínica é bastante sugestiva e nem sempre o resultado da cultura é positivo.
  3. C) Vaginose bacteriana, uma vez que não há reação inflamatória evidente.
  4. D) Vulvovaginite alérgica.
  5. E) Vaginose citolítica, uma vez que a flora é de lactobacilos e existe sintomatologia característica.

Pérola Clínica

Vaginose citolítica = sintomas de candidíase + pH vaginal < 4,5 + excesso de lactobacilos + cultura fúngica negativa.

Resumo-Chave

A vaginose citolítica é uma condição de vulvovaginite recorrente caracterizada por supercrescimento de lactobacilos, causando citólise das células epiteliais vaginais. Apresenta sintomas semelhantes à candidíase, mas com cultura fúngica negativa e pH vaginal ácido (<4,5).

Contexto Educacional

A vaginose citolítica é uma causa de vulvovaginite recorrente que muitas vezes é subdiagnosticada, sendo confundida com candidíase. Caracteriza-se por um supercrescimento de lactobacilos na vagina, que, ao metabolizar o glicogênio das células epiteliais, produzem ácido lático em excesso. Esse ambiente excessivamente ácido leva à citólise das células epiteliais vaginais, causando os sintomas. É uma condição importante para o diagnóstico diferencial das vulvovaginites. A fisiopatologia envolve o desequilíbrio da flora vaginal, onde os lactobacilos, embora benéficos em quantidades normais, em excesso causam irritação e destruição celular. Os sintomas são semelhantes aos da candidíase: prurido, ardor, disúria, dispareunia e secreção esbranquiçada, mas com pH vaginal tipicamente ácido (<4,5) e cultura para fungos negativa. O diagnóstico é feito pela exclusão de outras causas e pela identificação de excesso de lactobacilos e citólise no microscópio. O tratamento da vaginose citolítica visa restaurar o equilíbrio da flora vaginal e reduzir a acidez. Isso é geralmente alcançado com o uso de duchas vaginais ou supositórios de bicarbonato de sódio, que elevam o pH vaginal e inibem o crescimento excessivo dos lactobacilos. É crucial diferenciar essa condição de outras vulvovaginites para evitar tratamentos inadequados e recorrentes, melhorando a qualidade de vida da paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas típicos da vaginose citolítica?

Os sintomas incluem prurido vulvar, ardor, disúria, dispareunia e secreção vaginal esbranquiçada, muitas vezes cíclicos e piorando na fase lútea do ciclo menstrual.

Como a vaginose citolítica se diferencia da candidíase vulvovaginal?

Ambas podem ter sintomas semelhantes, mas na vaginose citolítica a cultura para fungos é negativa, o pH vaginal é <4,5 e há um excesso de lactobacilos no exame microscópico, ao contrário da candidíase.

Qual é o tratamento para a vaginose citolítica?

O tratamento visa reduzir o número de lactobacilos e elevar o pH vaginal, geralmente com duchas vaginais de bicarbonato de sódio ou supositórios de bicarbonato, para aliviar os sintomas.

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