HVC - Hospital Vera Cruz (SP) — Prova 2023
Mulher de 32 anos de idade comparece à unidade básica de saúde com queixa de corrimento vaginal. Ela relata que, há 10 dias, iniciou com quadro de leucorreia esbranquiçada, grumosa e com odor desagradável, associada a prurido vaginal. Tem vida sexual ativa, sem parceiro fixo e com uso irregular de preservativo. Também notou o surgimento de algumas placas esbranquiçadas em mucosa oral. Há 5 dias procurou a unidade de emergência, onde foi prescrito uso de fluconazol oral e nistatina creme vaginal. Dois dias após o início das medicações, evoluiu com as lesões que podem ser vistas nas imagens a seguir. Fez uso de medicação antialérgica por conta própria sem melhora. Não possui outros antecedentes relevantes e não apresentou cartão vacinal, referindo não ter feito uso de vacinas desde a infância. No momento, mantém o quadro clínico. Foi realizado um teste rápido para sífilis, que foi positivo. Como deverá ser feito o tratamento do corrimento vaginal apresentado pela paciente?
Corrimento fétido + Placas orais + Sífilis (+) → Suspeitar de HIV e tratar vaginose/tricomoníase com Metronidazol por 14 dias.
Em pacientes com evidência de imunossupressão (como candidíase oral e ISTs), o tratamento de infecções vaginais anaeróbicas requer esquemas prolongados de metronidazol.
O manejo de corrimentos vaginais em populações vulneráveis exige um olhar sindrômico e sistêmico. A presença de odor desagradável e leucorreia grumosa pode indicar uma coinfecção (Vaginose + Candidíase). No entanto, a falha terapêutica e os sinais de imunossupressão (candidíase oral) mudam o prognóstico. O Metronidazol é um nitroimidazólico eficaz contra anaeróbios e protozoários. O esquema de 14 dias é frequentemente reservado para Doença Inflamatória Pélvica (DIP) ou casos de vaginose/tricomoníase recorrente e de difícil controle em pacientes imunocomprometidos. A abordagem deve sempre incluir o tratamento do parceiro e o aconselhamento sobre práticas sexuais seguras.
A paciente apresenta sinais sugestivos de imunossupressão avançada (placas esbranquiçadas na mucosa oral compatíveis com candidíase oral, que não melhorou com fluconazol) e diagnóstico confirmado de sífilis. Em pacientes vivendo com HIV/AIDS ou com quadros de corrimento vaginal (vaginose bacteriana ou tricomoníase) persistentes ou associados a quadros sindrômicos complexos, o Ministério da Saúde e protocolos internacionais podem recomendar o uso prolongado de Metronidazol (500mg VO 12/12h por 10 a 14 dias) para garantir a erradicação e prevenir recidivas.
As placas orais sugerem candidíase esofágica ou oral extensa, uma condição definidora de imunodeficiência (frequentemente associada ao HIV). A falha do tratamento prévio com nistatina e fluconazol reforça a gravidade. Em pacientes imunossuprimidos, as infecções vaginais por anaeróbios ou Trichomonas vaginalis tendem a ser mais agressivas e resistentes ao tratamento convencional de dose única ou 7 dias, justificando a extensão do tratamento.
Como o teste rápido para sífilis foi positivo, a paciente deve ser estagiada (primária, secundária, latente ou terciária). Na ausência de sinais de sífilis primária ou secundária e sem cartão vacinal/histórico, trata-se como sífilis latente tardia ou de duração ignorada com Penicilina G Benzatina 2,4 milhões UI, via intramuscular, semanalmente, por 3 semanas. Além disso, a investigação para HIV, Hepatites B e C é mandatória.
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