Vaginose Bacteriana na Gravidez: Diagnóstico e Tratamento

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2020

Enunciado

Quartigesta com 3 partos vaginais anteriores, 28 semanas de gravidez, vem ao pronto atendimento com queixa de dor em hipogástrio há 3 horas. Nega sangramento e refere secreção vaginal aumentada. Ao exame, bom estado geral, normotensa, afebril. Abdômen gravídico, normotônico, 2 contrações fracas em 10 minutos, BCF presente ritmico 140bpm. Especular com secreção bolhosa amarela fluida abundante, toque vaginal com colo amolecido, grosso, entreaberto. Qual é a conduta recomendada neste momento?

Alternativas

  1. A) Nifedipina.
  2. B) Metronidazol.
  3. C) Betametasona.
  4. D) Progesterona.

Pérola Clínica

Secreção vaginal bolhosa amarela + colo entreaberto na gravidez → Suspeitar vaginose/tricomoníase → Tratar com Metronidazol.

Resumo-Chave

A descrição da secreção vaginal ("bolhosa amarela fluida abundante") é altamente sugestiva de tricomoníase, que é uma forma de vaginose. Infecções vaginais na gravidez, especialmente no segundo e terceiro trimestres, podem estar associadas a trabalho de parto prematuro e devem ser tratadas. O metronidazol é a droga de escolha para tricomoníase e vaginose bacteriana na gravidez.

Contexto Educacional

As infecções vaginais são comuns durante a gravidez e, se não tratadas, podem levar a complicações obstétricas significativas, como trabalho de parto prematuro, ruptura prematura de membranas e corioamnionite. A vaginose bacteriana e a tricomoníase são as infecções mais prevalentes e clinicamente relevantes nesse contexto, exigindo diagnóstico e tratamento precisos. O diagnóstico baseia-se na anamnese, exame físico e especular. A secreção vaginal bolhosa amarela fluida é um achado clássico da tricomoníase, que muitas vezes coexiste com a vaginose bacteriana. A presença de dor em hipogástrio e colo entreaberto em uma gestante com infecção vaginal deve levantar a suspeita de irritação uterina ou início de trabalho de parto prematuro secundário à infecção. A conduta recomendada é o tratamento da infecção. O metronidazol é o fármaco de escolha para vaginose bacteriana e tricomoníase na gravidez, sendo seguro para uso após o primeiro trimestre. A nifedipina é um tocolítico, a betametasona é para maturação pulmonar fetal, e a progesterona é usada para prevenção de parto prematuro em casos específicos, mas nenhuma delas trata a infecção vaginal subjacente que parece ser o problema primário aqui.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas de vaginose bacteriana ou tricomoníase na gravidez?

Os principais sinais incluem secreção vaginal anormal (acinzentada, amarelada, bolhosa), odor fétido (especialmente após relação sexual), prurido e disúria. A tricomoníase classicamente apresenta secreção bolhosa amarelo-esverdeada.

Por que é importante tratar infecções vaginais na gravidez?

Infecções vaginais não tratadas na gravidez, como a vaginose bacteriana e a tricomoníase, estão associadas a um risco aumentado de complicações obstétricas, incluindo trabalho de parto prematuro, ruptura prematura de membranas e corioamnionite.

Qual o tratamento de escolha para vaginose bacteriana e tricomoníase na gestação?

O metronidazol é o tratamento de escolha para ambas as condições na gravidez, sendo considerado seguro após o primeiro trimestre. Pode ser administrado por via oral ou tópica, dependendo da condição e preferência clínica.

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