Vaginose Bacteriana na Gestação: Diagnóstico e Conduta

SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2024

Enunciado

Uma paciente secundigesta com 29 semanas de gestação procura emergência obstétrica referindo contrações há 2 dias, que vêm se intensificando. Refere leucorreia fétida há 5 dias. Pré-natal sem intercorrências até então. Nega comorbidades ou uso de medicamentos além de sulfato ferroso. Ao exame, pressão arterial de 100/60 mmHg, FC de 90 bpm, tax: 36,8ºC, altura uterina de 26 cm, BCF de 150 bpm e uma contração fraca em 10 minutos. Exame especular evidenciando secreção acinzentada bolhosa. Toque vaginal: colo grosso, posterior e fechado. Qual é a melhor conduta nesse caso?

Alternativas

  1. A) Realizar tocólise com nifedipina.
  2. B) Prescrever corticoide para maturação pulmonar fetal.
  3. C) Tratar vaginose bacteriana com metronidazol via oral.
  4. D) Hidratar a paciente com solução intravenosa e observar por pelo menos duas horas.
  5. E) Prescrever progesterona via vaginal.

Pérola Clínica

Leucorreia fétida + secreção acinzentada bolhosa + colo fechado em gestante com contrações → Tratar vaginose bacteriana.

Resumo-Chave

A presença de leucorreia fétida e secreção acinzentada bolhosa é altamente sugestiva de vaginose bacteriana. Embora o colo esteja fechado, a infecção vaginal pode ser um fator de risco para trabalho de parto prematuro, justificando o tratamento mesmo sem dilatação.

Contexto Educacional

A vaginose bacteriana (VB) é uma disbiose da microbiota vaginal, caracterizada pela substituição dos lactobacilos por bactérias anaeróbias. É a causa mais comum de corrimento vaginal em mulheres em idade reprodutiva e sua prevalência pode ser maior na gestação, variando entre 10-30%. Sua importância clínica na gravidez reside no fato de ser um fator de risco independente para complicações obstétricas graves, como trabalho de parto prematuro, ruptura prematura de membranas, corioamnionite e endometrite pós-parto. O diagnóstico da VB é clínico, baseado nos critérios de Amsel: presença de três dos quatro critérios (corrimento vaginal homogêneo, fino e acinzentado; pH vaginal > 4,5; teste de aminas positivo com odor de peixe após adição de KOH; presença de clue cells no exame microscópico). Na questão, a descrição de "secreção acinzentada bolhosa" e "leucorreia fétida" são fortes indicativos. É crucial suspeitar de VB em gestantes com sintomas vaginais, especialmente se apresentarem contrações uterinas, mesmo que o colo esteja fechado, pois a infecção pode ser um gatilho para a prematuridade. A conduta para vaginose bacteriana na gestação é o tratamento com antibióticos. O metronidazol (oral ou vaginal) e a clindamicina (oral ou vaginal) são as opções mais eficazes e seguras. O tratamento visa erradicar a infecção e, consequentemente, reduzir o risco de complicações obstétricas. A tocólise e a maturação pulmonar fetal seriam consideradas se houvesse um diagnóstico confirmado de trabalho de parto prematuro iminente, mas a prioridade inicial é tratar a causa subjacente, se identificada.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas da vaginose bacteriana na gestação?

Os sinais e sintomas incluem leucorreia fétida (odor de peixe), secreção vaginal acinzentada e bolhosa, prurido e irritação vaginal. Em gestantes, pode estar associada a contrações uterinas.

Por que tratar a vaginose bacteriana em gestantes com contrações?

A vaginose bacteriana é um fator de risco conhecido para complicações obstétricas, incluindo trabalho de parto prematuro, ruptura prematura de membranas e corioamnionite. O tratamento precoce pode reduzir esses riscos.

Qual o tratamento de escolha para vaginose bacteriana na gravidez?

O tratamento de escolha é o metronidazol, que pode ser administrado via oral ou vaginal, dependendo da preferência e gravidade. A clindamicina é uma alternativa.

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