Vaginose Bacteriana na Gestação: Diagnóstico e Tratamento

SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2021

Enunciado

Durante uma consulta de pré-natal, uma gestante de 24 semanas refere corrimento vaginal abundante, com odor fétido e pH vaginal de 5. O exame especular mostrou corrimento branco-acinzentado, com odor fétido. Teste de Whiff positivo. Neste caso, qual a melhor opção terapêutica?

Alternativas

  1. A) Metronidazol tópico para gestante e sistêmico para o parceiro.
  2. B) Metronidazol sistêmico para a gestante e sem tratamento para o parceiro.
  3. C) Anfotericina B e nistatina, administrados para o casal.
  4. D) Aplicação tópica de violeta de genciana para a gestante e fluconazol para o parceiro.

Pérola Clínica

Vaginose Bacteriana na gestação: Metronidazol sistêmico para a gestante, sem tratar o parceiro.

Resumo-Chave

Os sintomas descritos (corrimento branco-acinzentado, odor fétido, pH vaginal de 5, teste de Whiff positivo) são clássicos de Vaginose Bacteriana. Na gestação, o tratamento com metronidazol sistêmico é a melhor opção terapêutica, e o tratamento do parceiro não é indicado.

Contexto Educacional

A Vaginose Bacteriana (VB) é uma das causas mais comuns de corrimento vaginal em mulheres em idade reprodutiva, incluindo gestantes. Caracteriza-se por um desequilíbrio da microbiota vaginal, com diminuição dos lactobacilos protetores e supercrescimento de bactérias anaeróbias. Sua identificação e tratamento adequados são de extrema importância na gestação devido às potenciais complicações obstétricas associadas. Este é um tema frequente em provas de residência e na prática clínica diária. O diagnóstico da VB é clínico, baseado nos Critérios de Amsel: corrimento vaginal homogêneo, branco-acinzentado; pH vaginal > 4,5; teste de Whiff positivo (odor de peixe após adição de KOH); e presença de células-chave (clue cells) na microscopia. A gestante do enunciado apresenta todos os sinais clássicos, indicando claramente a Vaginose Bacteriana. É fundamental diferenciar a VB de outras vaginites, como candidíase (pH normal, sem odor fétido) e tricomoníase (corrimento bolhoso, pH elevado, odor fétido, mas com protozoários visíveis). Na gestação, o tratamento da Vaginose Bacteriana é recomendado para reduzir o risco de complicações como parto prematuro. O metronidazol sistêmico (oral) é a terapia de escolha, sendo seguro e eficaz. O tratamento do parceiro sexual não é indicado para Vaginose Bacteriana, pois não demonstrou benefício na prevenção de recorrências ou na melhora dos resultados obstétricos. A educação da paciente sobre higiene íntima e a importância do tratamento completo são componentes essenciais do manejo.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para Vaginose Bacteriana?

O diagnóstico de Vaginose Bacteriana é feito pelos Critérios de Amsel, que incluem: corrimento vaginal homogêneo, branco-acinzentado; pH vaginal > 4,5; teste de Whiff positivo (odor de amina após adição de KOH); e presença de células-chave (clue cells) na microscopia. A presença de pelo menos três desses quatro critérios confirma o diagnóstico.

Por que o metronidazol sistêmico é preferível para Vaginose Bacteriana na gestação?

O metronidazol sistêmico (oral) é preferível na gestação para o tratamento da Vaginose Bacteriana devido à sua alta eficácia na erradicação da infecção e à sua segurança comprovada durante a gravidez. Embora o metronidazol tópico também seja uma opção, a via oral pode garantir uma melhor penetração e erradicação em casos mais severos ou recorrentes.

Quais são as complicações da Vaginose Bacteriana não tratada na gestação?

A Vaginose Bacteriana não tratada na gestação está associada a um risco aumentado de complicações obstétricas, como parto prematuro, ruptura prematura de membranas, corioamnionite, endometrite pós-parto e abortamento tardio. O tratamento adequado é crucial para reduzir esses riscos.

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