Vaginose Bacteriana: Diagnóstico, Complicações e Tratamento

Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2023

Enunciado

A secreção vaginal de aspecto diferente, sintomática com odor desagradável ou prurido é uma das maiores causas de consulta ginecológica em serviços de atendimento primário. É preciso conhecimento dos agentes provavelmente envolvidos para aliviar as pacientes. Sobre esses corrimentos vaginais, é CORRETO afirmar que: 

Alternativas

  1. A) A vaginite atrófica pode cursar com corrimento vaginal purulento, dispareunia e sangramento pós-coito, o tratamento de escolha são do grupo dos azóis em cremes vaginais por 5 a 7 dias.
  2. B) Na candidiase vaginal recorrente, mais de 2 episódios por ano, não se recomenda a confirmação laboratorial e os azóis costumam ter baixa resposta, sendo preferido o uso da nistatina.
  3. C) A tricomoníase geralmente está associada a candidíase vaginal, por ambas crescerem em ambientes com PH baixo, o tratamento com cremes vaginais com medicações antibacterianas e antifúngicas associadas é o mais recomendado.
  4. D) A vaginose bacteriana está associada ao aumento importante das gardnerellas vaginais com diminuição dos lactobacilos, podendo estar relacionada ao aumento de cóm risco de doença inflamatória pélvica, infecção pós-operatória de histerectomia vaginal até rotura prematura das membranas e trabalho de parto prematuro.

Pérola Clínica

Vaginose Bacteriana: ↑ Gardnerella, ↓ Lactobacilos. Associada a DIP, RPM e parto prematuro. Tratamento com metronidazol.

Resumo-Chave

A vaginose bacteriana (VB) é caracterizada por um desequilíbrio da microbiota vaginal, com aumento de bactérias anaeróbias (ex: Gardnerella vaginalis) e diminuição de lactobacilos. Essa condição está associada a um risco aumentado de complicações ginecológicas e obstétricas, como Doença Inflamatória Pélvica (DIP), infecção pós-operatória e desfechos adversos na gravidez, como rotura prematura de membranas e trabalho de parto prematuro.

Contexto Educacional

A secreção vaginal é uma queixa ginecológica comum, e o diagnóstico diferencial dos corrimentos é essencial para um manejo adequado. A vaginose bacteriana (VB) é a causa mais frequente de corrimento vaginal em mulheres em idade reprodutiva, resultante de um desequilíbrio da microbiota vaginal normal. Caracteriza-se pela diminuição dos lactobacilos produtores de peróxido de hidrogênio e um supercrescimento de bactérias anaeróbias, como Gardnerella vaginalis, Mycoplasma hominis e Prevotella spp. A fisiopatologia da VB envolve a alteração do pH vaginal, que se torna mais alcalino (>4,5), favorecendo o crescimento das bactérias anaeróbias. Clinicamente, manifesta-se por um corrimento vaginal homogêneo, acinzentado, com odor fétido (odor de peixe), especialmente após a relação sexual ou menstruação. O diagnóstico é clínico (Critérios de Amsel) e laboratorial (presença de clue cells, pH vaginal elevado, teste de aminas positivo). É crucial reconhecer a VB não apenas como um sintoma incômodo, mas também como um fator de risco significativo para complicações. Ela aumenta a suscetibilidade a infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), o risco de Doença Inflamatória Pélvica (DIP) e infecções pós-operatórias ginecológicas. Durante a gravidez, a VB está associada a desfechos adversos como rotura prematura de membranas, trabalho de parto prematuro e corioamnionite. O tratamento com metronidazol ou clindamicina é eficaz e fundamental para prevenir essas complicações, sendo um conhecimento indispensável para residentes e profissionais de saúde.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para vaginose bacteriana?

O diagnóstico de vaginose bacteriana é feito pelos Critérios de Amsel, que incluem a presença de pelo menos três dos quatro: corrimento vaginal homogêneo e fino, pH vaginal > 4,5, teste de aminas positivo (odor de peixe após KOH) e presença de 'clue cells' (células-chave) no exame microscópico do corrimento.

Quais são as principais complicações associadas à vaginose bacteriana?

A vaginose bacteriana está associada a diversas complicações, incluindo aumento do risco de Doença Inflamatória Pélvica (DIP), infecções pós-operatórias (especialmente após histerectomia vaginal), maior suscetibilidade a infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e, na gravidez, rotura prematura de membranas, trabalho de parto prematuro e corioamnionite.

Qual o tratamento de escolha para a vaginose bacteriana?

O tratamento de escolha para a vaginose bacteriana é o metronidazol, que pode ser administrado por via oral (500 mg duas vezes ao dia por 7 dias) ou por via vaginal (gel a 0,75% uma vez ao dia por 5 dias). A clindamicina (creme vaginal a 2% ou óvulos) é uma alternativa eficaz, especialmente para pacientes que não toleram o metronidazol.

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