Vaginose Bacteriana: Sinais Clínicos e Diagnóstico Laboratorial

IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2020

Enunciado

Paciente se queixa ao ginecologista de corrimento vaginal fétido, branco e leve irritação vulvovaginal. Ainda segundo a paciente, o odor se intensifica após relações sexuais. O ginecologista após exame ginecológico informa à paciente que ela está com vaginose bacteriana provavelmente por Gardnerella vaginalis ou Mobiluncus. Diante deste quadro, é correto afirmar que

Alternativas

  1. A) é bem provável que o pH vaginal esteja acima de 4,5 e o teste das aminas (Whiff-test)seja positivo.
  2. B) só se pode finalizar o diagnóstico com o exame das glândulas de Bartholin e Skene.
  3. C) o diagnóstico está correto e deve-se rotineiramente tratar o casal pois a informação dapiora após relações sexuais, demonstra acometimento de ambos.
  4. D) deve ser solicitada bacterioscopia de conteúdo vaginal com critérios de Amsel.
  5. E) a pesquisa de células alvo é fundamental para se conhecer o agente causal, se Gardnerella ou Mobiluncus.

Pérola Clínica

Vaginose bacteriana = pH > 4,5 + teste das aminas (+) + corrimento branco/acinzentado + odor pós-coito.

Resumo-Chave

A vaginose bacteriana é uma disbiose da flora vaginal, com supercrescimento de bactérias como Gardnerella vaginalis. Seus principais achados diagnósticos incluem pH vaginal elevado (>4,5) e teste das aminas positivo, além do corrimento característico e odor que piora após o coito.

Contexto Educacional

A vaginose bacteriana (VB) é a causa mais comum de corrimento vaginal em mulheres em idade reprodutiva, resultante de um desequilíbrio da microbiota vaginal, com diminuição dos lactobacilos e aumento de bactérias anaeróbias, como Gardnerella vaginalis e Mobiluncus spp. É uma condição que, embora não seja uma IST clássica, pode ter implicações na saúde reprodutiva. O diagnóstico da VB é primariamente clínico, baseado nos critérios de Amsel, que incluem: corrimento vaginal homogêneo, branco-acinzentado; pH vaginal > 4,5; teste das aminas positivo (odor de peixe após adição de KOH 10%); e presença de 'clue cells' na microscopia. O odor fétido, que piora após o coito, é um sintoma característico e frequentemente o motivo da busca por atendimento médico. É importante ressaltar que a VB não é considerada uma infecção sexualmente transmissível clássica e, portanto, o tratamento do parceiro sexual não é rotineiramente recomendado, pois não demonstrou benefício. O tratamento visa restaurar o equilíbrio da flora vaginal, geralmente com metronidazol (oral ou tópico) ou clindamicina, e é fundamental para aliviar os sintomas e prevenir possíveis complicações, como o aumento do risco de ISTs ou complicações obstétricas.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da vaginose bacteriana?

Os sintomas mais comuns incluem corrimento vaginal fétido (odor de peixe), branco-acinzentado, que se intensifica após relações sexuais ou menstruação. Pode haver leve irritação, mas geralmente não há prurido ou disúria intensos.

Como o pH vaginal e o teste das aminas auxiliam no diagnóstico da vaginose bacteriana?

O pH vaginal elevado (>4,5) e o teste das aminas positivo (odor amínico com KOH 10%) são dois dos quatro critérios de Amsel, sendo altamente sugestivos de vaginose bacteriana ao indicar a presença de bactérias anaeróbias.

A vaginose bacteriana é uma infecção sexualmente transmissível e o parceiro deve ser tratado?

A vaginose bacteriana não é considerada uma infecção sexualmente transmissível clássica, mas está associada à atividade sexual. O tratamento do parceiro sexual não é rotineiramente recomendado.

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