Vaginose Bacteriana: Diagnóstico por Clue Cells e Tratamento

IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher, de 17 anos de idade, procura atendimento médico por corrimento vaginal malcheiroso há 3 semanas, que piorou após o fluxo menstrual. Nega prurido e queixas urinárias. Realizou coleta de material, cuja bacterioscopia está disponível na imagem a seguir: Qual é a alteração identificada na bacterioscopia com coloração de Gram e qual é o tratamento correto?

Alternativas

  1. A) Espiroquetas. Penicilina Benzatina 2.400.000UI via intramuscular.
  2. B) Lactobacilos. Óvulos de ácido bórico para regular o pH vaginal.
  3. C) Clue cells. Metronidazol creme, por via vaginal, por 7 dias.
  4. D) Células gigantes. Aciclovir 400mg via oral, a cada 8 horas por 5 a 10 dias.

Pérola Clínica

Corrimento acinzentado + odor de peixe + pH > 4,5 + clue cells = Vaginose Bacteriana.

Resumo-Chave

A presença de "clue cells" (células epiteliais recobertas por cocobacilos) é o achado mais específico para Vaginose Bacteriana na bacterioscopia. O tratamento visa erradicar os anaeróbios, como a Gardnerella vaginalis, com metronidazol.

Contexto Educacional

A vaginose bacteriana (VB) é a causa mais comum de corrimento vaginal em mulheres em idade reprodutiva, representando uma disbiose da flora vaginal. Caracteriza-se pela diminuição dos lactobacilos produtores de peróxido de hidrogênio e um supercrescimento de bactérias anaeróbias, como Gardnerella vaginalis, Atopobium vaginae e outras. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado nos critérios de Amsel, dos quais três devem estar presentes: corrimento acinzentado, homogêneo e de baixo volume; pH vaginal > 4,5; e teste das aminas (Whiff test) positivo. O achado de 'clue cells' na microscopia a fresco ou na coloração de Gram é o critério mais específico, confirmando a aderência bacteriana maciça às células epiteliais. O tratamento de escolha visa a erradicação dos anaeróbios. O metronidazol é a droga de primeira linha, podendo ser administrado por via oral (500mg, 2x/dia por 7 dias) ou por via vaginal em creme ou óvulo. Alternativas incluem a clindamicina. É importante notar que a VB não é considerada uma infecção sexualmente transmissível, portanto, o tratamento de parceiros não é rotineiramente recomendado.

Perguntas Frequentes

O que são 'clue cells' e qual sua importância no diagnóstico da vaginose bacteriana?

'Clue cells' são células epiteliais vaginais com bordas obscurecidas por cocobacilos aderidos, como a Gardnerella vaginalis. São o sinal microscópico mais específico para o diagnóstico de vaginose bacteriana, sendo um dos quatro critérios de Amsel.

Qual o tratamento de primeira linha para vaginose bacteriana e por que o metronidazol é eficaz?

O tratamento de primeira linha é o metronidazol (oral ou vaginal) ou clindamicina (vaginal). O metronidazol é eficaz por sua potente ação contra bactérias anaeróbias, que substituem os lactobacilos protetores na fisiopatologia da VB.

Como diferenciar clinicamente a vaginose bacteriana de outras vaginites comuns?

A VB se diferencia pelo corrimento acinzentado, fino, com odor de peixe (piora com coito ou menstruação) e ausência de inflamação/prurido significativo. Candidíase cursa com prurido intenso e corrimento branco-grumoso, e Tricomoníase com corrimento amarelo-esverdeado e inflamação.

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