Vaginose Bacteriana: Fisiopatologia e Corrimento Fétido

HPP - Hospital Infantil Pequeno Príncipe (PR) — Prova 2023

Enunciado

A vaginose bacteriana (VB) é a desordem mais frequente o trato genital inferior em mulheres em idade reprodutiva. Sobre ela assinale a alternativa correta de acordo com o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis do Ministério da Saúde (2022):

Alternativas

  1. A) É causada exclusivamente pela Gardnerella vaginalis, transmitida por contato sexual. 
  2. B) Após o coito e a menstruação, que alcalinizam o meio vaginal, aminoácidos são quebrados em aminas voláteis que podem dar aspecto bolhoso e fétido ao corrimento.
  3. C) Está associada ao aumento dos lactobacilos, sendo recomendado banho de assento com bicarbonato de sódio para equilibrar o pH. 
  4. D) À microscopia a característica principal é de presença de bactéria flagelada, com movimentos aleatórios.

Pérola Clínica

Vaginose Bacteriana: pH vaginal alcalino (coito/menstruação) → quebra de aminoácidos → aminas voláteis → corrimento fétido e bolhoso.

Resumo-Chave

A vaginose bacteriana é uma disbiose da microbiota vaginal, não uma infecção sexualmente transmissível clássica. A alcalinização do pH vaginal, comum após o coito ou menstruação, favorece o crescimento de bactérias anaeróbias que produzem aminas voláteis, responsáveis pelo odor fétido característico e aspecto bolhoso do corrimento.

Contexto Educacional

A vaginose bacteriana (VB) é a causa mais comum de corrimento vaginal em mulheres em idade reprodutiva, caracterizada por uma disbiose da microbiota vaginal. Há uma redução significativa dos lactobacilos produtores de peróxido de hidrogênio e um supercrescimento de bactérias anaeróbias, como Gardnerella vaginalis, Mycoplasma hominis e Prevotella spp. Embora não seja uma infecção sexualmente transmissível (IST) no sentido clássico, a atividade sexual pode influenciar seu desenvolvimento. A fisiopatologia da VB envolve a elevação do pH vaginal (>4,5), que pode ser desencadeada por fatores como sêmen (alcalino) após o coito ou sangue menstrual. Esse ambiente alcalino favorece o crescimento das bactérias anaeróbias, que metabolizam aminoácidos em aminas voláteis (putrescina, cadaverina, trimetilamina). Essas aminas são responsáveis pelo odor fétido característico, descrito como 'cheiro de peixe', que se intensifica após o coito ou durante a menstruação, e podem conferir um aspecto bolhoso ao corrimento. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios de Amsel, e o tratamento visa restaurar o equilíbrio da flora vaginal. As opções terapêuticas incluem metronidazol (oral ou tópico) ou clindamicina (tópica). É importante tratar a VB devido ao desconforto dos sintomas e à sua associação com complicações ginecológicas e obstétricas, como doença inflamatória pélvica, infecções pós-operatórias e parto prematuro.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios para o diagnóstico de vaginose bacteriana?

Os critérios de Amsel são amplamente utilizados para o diagnóstico de vaginose bacteriana, exigindo a presença de pelo menos três dos quatro: corrimento vaginal homogêneo, pH vaginal > 4,5, teste de aminas positivo (odor de peixe após adição de KOH) e presença de 'clue cells' (células-guia) na microscopia.

A vaginose bacteriana é uma infecção sexualmente transmissível (IST)?

Embora a atividade sexual possa influenciar a microbiota vaginal e o risco de VB, ela não é considerada uma IST clássica, pois não é transmitida exclusivamente por contato sexual e pode ocorrer em mulheres virgens. É uma disbiose da flora vaginal, não uma infecção por um único patógeno externo.

Qual o tratamento recomendado para vaginose bacteriana?

O tratamento recomendado para vaginose bacteriana, conforme o Ministério da Saúde, inclui metronidazol (oral ou gel vaginal) ou clindamicina (creme vaginal ou óvulos). O objetivo é restaurar o equilíbrio da microbiota vaginal e aliviar os sintomas.

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