Vaginose Bacteriana: Diagnóstico Laboratorial e Achados

ISMEP - Instituto de Saúde e Medicina de Brasília (DF) — Prova 2023

Enunciado

Com relação ao exame a fresco e à coloração por Gram da secreção vaginal, no contexto de caso clínico de vulvovaginite, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) A identificação de leveduras e (ou) pseudo-hifas no exame a fresco favorece o diagnóstico de tricomoníase. 
  2. B) A presença de micro-organismos flagelados no exame a fresco favorece o diagnóstico de candidíase vulvovaginal.
  3. C) Na coloração pelo Gram, a presença de bacilos Gram-negativos fusiformes é sugestiva de Mobiluncus spp.
  4. D) A identificação de "clue cells", ou células alvo, no exame a fresco é altamente preditiva da presença de vaginose citolítica.
  5. E) O índice de Nugent pode ser utilizado na investigação de vulvovaginites e tem como objetivo averiguar a possibilidade de candidíase vulvovaginal, a partir de uma gradação em cruzes da presença de leveduras e pseudo-hifas por campo de 100 x.

Pérola Clínica

Mobiluncus spp. = bacilos Gram-negativos fusiformes no Gram → Vaginose Bacteriana.

Resumo-Chave

A identificação de bacilos Gram-negativos fusiformes ou curvos, como Mobiluncus spp., na coloração de Gram da secreção vaginal é um achado característico da vaginose bacteriana, refletindo o desequilíbrio da microbiota vaginal e o crescimento de anaeróbios.

Contexto Educacional

O diagnóstico das vulvovaginites, como a vaginose bacteriana, candidíase e tricomoníase, é fundamental na prática ginecológica e depende da correta interpretação de exames laboratoriais como o exame a fresco e a coloração de Gram da secreção vaginal. A vaginose bacteriana, em particular, é caracterizada por um desequilíbrio da microbiota vaginal, com diminuição de lactobacilos e supercrescimento de bactérias anaeróbias, como Gardnerella vaginalis e Mobiluncus spp. No exame a fresco, a identificação de 'clue cells' é o achado mais característico da vaginose bacteriana. 'Clue cells' são células epiteliais vaginais recobertas por bactérias, conferindo-lhes um aspecto granuloso. A presença de micro-organismos flagelados indica tricomoníase, enquanto leveduras e pseudo-hifas sugerem candidíase. A coloração de Gram é essencial para o Índice de Nugent, que pontua a morfologia bacteriana para diagnosticar vaginose bacteriana, sendo a presença de bacilos Gram-negativos fusiformes (Mobiluncus spp.) um achado relevante. É crucial que residentes e estudantes de medicina dominem a interpretação desses exames para um diagnóstico preciso e um tratamento eficaz das vulvovaginites. A correta identificação dos agentes etiológicos evita tratamentos inadequados e recorrências, melhorando a qualidade de vida das pacientes e prevenindo complicações.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados típicos no exame a fresco para vaginose bacteriana?

No exame a fresco, os achados típicos da vaginose bacteriana incluem a presença de 'clue cells' (células-alvo), ausência ou diminuição de lactobacilos, e um pH vaginal > 4,5. Também pode haver um teste de Whiff positivo (odor amínico).

O que são 'clue cells' e qual sua importância diagnóstica?

'Clue cells' são células epiteliais vaginais que estão densamente recobertas por cocobacilos, tornando suas bordas indistintas. Elas são altamente preditivas da vaginose bacteriana e são um dos critérios diagnósticos principais.

Qual o papel do Índice de Nugent no diagnóstico de vulvovaginites?

O Índice de Nugent é um sistema de pontuação baseado na coloração de Gram da secreção vaginal, utilizado para diagnosticar vaginose bacteriana. Ele avalia a morfologia e a proporção de diferentes bactérias (lactobacilos, Gardnerella/Bacteroides, Mobiluncus) para atribuir uma pontuação que indica a presença ou ausência de vaginose.

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