Vaginose Bacteriana na Gestação: Diagnóstico e Tratamento

HPP - Hospital Infantil Pequeno Príncipe (PR) — Prova 2020

Enunciado

Gestante com 10 semanas de gestação tem queixa de leucorreia amarelada com odor após o coito. Ao exame apresenta conteúdo vaginal esbranquiçado, homogêneo, com finas bolhas, e pH>4,5. Assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) Trata-se de conteúdo vaginal fisiológico, não havendo necessidade de tratamento.
  2. B) Trata-se de tricomoníase, indicando tratamento com metronidazol via oral para a paciente e parceria sexual.
  3. C) Trata-se de gonorreia, indicando tratamento com ceftriaxona para a paciente e para a parceria sexual.
  4. D) Trata-se candidíase vaginal, indicando tratamento com miconazol somente para a gestante.
  5. E) Trata-se de vaginose bacteriana, indicando tratamento com clindamicina somente para a gestante.

Pérola Clínica

Leucorreia amarelada, odor pós-coito, pH>4.5, bolhas → Vaginose Bacteriana. Tratar gestante com clindamicina.

Resumo-Chave

A vaginose bacteriana é caracterizada por leucorreia homogênea, odor fétido (especialmente após o coito), pH vaginal > 4,5 e a presença de "clue cells" no microscópio. Na gestação, o tratamento é indicado para evitar complicações, sendo a clindamicina uma opção segura.

Contexto Educacional

A vaginose bacteriana (VB) é a causa mais comum de corrimento vaginal em mulheres em idade reprodutiva, incluindo gestantes. É caracterizada por um desequilíbrio da microbiota vaginal, com redução de lactobacilos e supercrescimento de bactérias anaeróbias. Na gestação, a VB está associada a um risco aumentado de complicações como parto prematuro, ruptura prematura de membranas e corioamnionite, tornando seu diagnóstico e tratamento importantes. O diagnóstico da VB é clínico, baseado nos critérios de Amsel: corrimento vaginal homogêneo, fino e esbranquiçado; pH vaginal > 4,5; teste de aminas positivo (odor de peixe após adição de KOH); e presença de "clue cells" (células epiteliais vaginais cobertas por bactérias) na microscopia. A questão descreve leucorreia amarelada com odor após o coito, conteúdo esbranquiçado, homogêneo, com finas bolhas e pH>4,5, que se encaixa bem nos critérios. O tratamento da VB em gestantes é indicado para reduzir os riscos obstétricos. As opções incluem metronidazol (oral ou vaginal) ou clindamicina (oral ou vaginal). É importante ressaltar que o tratamento da parceria sexual não é recomendado para a vaginose bacteriana, pois não há evidências de benefício na prevenção de recorrências ou na cura da paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para vaginose bacteriana?

O diagnóstico de vaginose bacteriana é feito pelos critérios de Amsel: presença de leucorreia homogênea e fina, pH vaginal > 4,5, teste de aminas positivo (odor de peixe após adição de KOH) e presença de "clue cells" no exame microscópico.

Qual o tratamento indicado para vaginose bacteriana em gestantes?

Em gestantes, o tratamento da vaginose bacteriana é recomendado para reduzir riscos de complicações obstétricas. A clindamicina (oral ou vaginal) e o metronidazol (oral ou vaginal) são as opções de primeira linha, sendo a clindamicina citada na questão.

Por que o tratamento da parceria sexual não é indicado na vaginose bacteriana?

A vaginose bacteriana não é considerada uma IST clássica e é causada por um desequilíbrio da flora vaginal. O tratamento da parceria sexual não demonstrou benefício na prevenção de recorrências ou na cura da paciente.

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