Vaginose Bacteriana: Diagnóstico e Tratamento Essencial

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2021

Enunciado

Caso clínico 1A6-IMulher de 20 anos de idade, G1P1A0, foi a atendimento com a equipe da saúde da família queixando-se de corrimento vaginal havia 10 dias. A abordagem da paciente foi realizada conforme o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) do Ministério da Saúde.Considerando que tenha sido identificada a presença de clue cells e pH de conteúdo vaginal maior que 4,5 na paciente do caso clínico 1A6-I, assinale a opção que apresenta o diagnóstico e o procedimento a ser realizado, respectivamente.

Alternativas

  1. A) tricomoníase vaginal — tratamento apenas da paciente
  2. B) tricomoníase vaginal — tratamento da paciente e do parceiro sexual
  3. C) vaginose bacteriana — tratamento apenas da paciente.
  4. D) vaginose bacteriana — tratamento da paciente e do parceiro sexual

Pérola Clínica

Clue cells + pH vaginal > 4,5 + corrimento = Vaginose Bacteriana → Tratar apenas a paciente.

Resumo-Chave

A presença de clue cells e pH vaginal > 4,5 são dois dos critérios de Amsel para diagnóstico de vaginose bacteriana. Diferente da tricomoníase, o tratamento do parceiro sexual não é recomendado na vaginose bacteriana, pois não há evidências de benefício.

Contexto Educacional

A vaginose bacteriana (VB) é a causa mais comum de corrimento vaginal em mulheres em idade reprodutiva, caracterizada por um desequilíbrio da microbiota vaginal, com redução de lactobacilos e supercrescimento de bactérias anaeróbias, principalmente Gardnerella vaginalis. Embora não seja considerada uma infecção sexualmente transmissível (IST) clássica, a atividade sexual pode influenciar sua ocorrência. O diagnóstico da vaginose bacteriana é clínico e laboratorial, utilizando os critérios de Amsel. Estes incluem: corrimento vaginal homogêneo, branco-acinzentado; pH vaginal > 4,5; teste de aminas positivo (odor de peixe após adição de KOH 10%); e a presença de clue cells (células epiteliais vaginais recobertas por bactérias) no exame microscópico do conteúdo vaginal. A presença de pelo menos três desses quatro critérios confirma o diagnóstico. O tratamento da vaginose bacteriana visa restaurar o equilíbrio da flora vaginal e aliviar os sintomas. Os medicamentos de escolha incluem metronidazol (oral ou tópico) ou clindamicina (tópica). É fundamental ressaltar que, ao contrário de muitas ISTs, o tratamento do parceiro sexual não é recomendado na vaginose bacteriana, pois não há evidências de que melhore os resultados clínicos ou previna recorrências na mulher.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios de Amsel para o diagnóstico de vaginose bacteriana?

Os critérios de Amsel incluem: corrimento vaginal homogêneo e branco-acinzentado, pH vaginal > 4,5, teste de aminas positivo (odor de peixe após KOH 10%) e presença de clue cells no exame microscópico. São necessários 3 dos 4 critérios.

O que são clue cells e qual sua importância diagnóstica?

Clue cells (células-chave) são células epiteliais vaginais recobertas por bactérias, principalmente Gardnerella vaginalis, que dão uma aparência granular. Sua presença é um achado microscópico patognomônico da vaginose bacteriana.

Por que o tratamento do parceiro sexual não é indicado na vaginose bacteriana?

A vaginose bacteriana é um desequilíbrio da flora vaginal normal, não uma IST no sentido estrito. Estudos não demonstraram benefício no tratamento do parceiro para a cura da paciente ou prevenção de recorrências.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo