UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2024
“A vaginose bacteriana (VB) é uma alteração da flora bacteriana vaginal normal que acarreta a diminuição do número de lactobacilos produtores de peróxido de hidrogênio e o supercrescimento de bactérias predominantemente anaeróbicas. O tipo mais comum de vaginite nos EUA é a VB. As bactérias anaeróbicas são encontradas em menos de 1% da flora de mulheres normais. No entanto, em mulheres com VB, a concentração de anaeróbios, bem como de G. vaginalis e Mycoplasma hominis, é 100 a 1.000 vezes maior que em mulheres normais. Em geral, os lactobacilos estão ausentes.” Tratado de Ginecologia – Jonathan S. Berek Avalie as afirmativas abaixo:I. Pacientes com vaginose bacteriana apresentam odor vaginal tipo peixe, notável sobretudo após o coito. II. O pH vaginal de pacientes com vaginose bacteriana é menor que 4,5. III. O metronidazol é o medicamento de escolha para o tratamento de pacientes com vaginose bacteriana e deve também ser prescrito ao parceiro sexual. IV. O exame microscópico das secreções vaginais mostra um número elevado de células-alvo e notável ausência de leucócitos. Sobre a vaginose bacteriana, é correto o que se afirma em:
VB = Odor peixe + pH > 4,5 + células-alvo + ausência leucócitos + não tratar parceiro.
A vaginose bacteriana é caracterizada por um desequilíbrio da flora vaginal, com diminuição de lactobacilos e supercrescimento de anaeróbios. Os critérios diagnósticos incluem odor fétido (especialmente após coito), pH vaginal elevado (>4,5), presença de células-alvo e ausência de leucócitos no exame microscópico. O tratamento é para a mulher, sem necessidade de tratar o parceiro sexual.
A vaginose bacteriana (VB) é a causa mais comum de corrimento vaginal em mulheres em idade reprodutiva, caracterizada por um desequilíbrio da microbiota vaginal normal. Há uma redução significativa dos lactobacilos produtores de peróxido de hidrogênio e um supercrescimento de bactérias anaeróbias, como Gardnerella vaginalis, Mycoplasma hominis e outras. Embora não seja considerada uma infecção sexualmente transmissível clássica, a VB está associada a um risco aumentado de adquirir outras ISTs, complicações obstétricas e ginecológicas. O diagnóstico da VB é clínico e laboratorial, utilizando os critérios de Amsel. Os sinais e sintomas incluem um corrimento vaginal homogêneo, branco-acinzentado, e um odor fétido característico de 'peixe', que se intensifica após o coito ou menstruação. O exame físico revela um pH vaginal elevado (>4,5) e a microscopia da secreção vaginal é fundamental para identificar as 'células-alvo' (clue cells), que são células epiteliais vaginais recobertas por bactérias. A ausência ou escassez de leucócitos polimorfonucleares é também um achado típico, diferenciando-a de outras vaginites. O tratamento da vaginose bacteriana visa restaurar a flora vaginal normal e aliviar os sintomas. O metronidazol (oral ou tópico) e a clindamicina (tópica) são as opções terapêuticas mais eficazes. É importante ressaltar que o tratamento do parceiro sexual não é indicado, pois não há evidências de benefício. Para residentes, é crucial o reconhecimento dos critérios diagnósticos e a escolha do tratamento adequado, além de orientar a paciente sobre a natureza da condição e a importância da adesão ao tratamento para evitar recorrências e complicações.
Os critérios de Amsel incluem: 1) Corrimento vaginal homogêneo, branco-acinzentado; 2) pH vaginal > 4,5; 3) Teste de aminas positivo (odor de peixe após adição de KOH); 4) Presença de células-alvo (clue cells) em mais de 20% das células epiteliais no microscópio. São necessários pelo menos três desses quatro critérios.
O pH vaginal normal é ácido (3,8 a 4,5) devido à produção de ácido lático pelos lactobacilos. Na vaginose bacteriana, a diminuição dos lactobacilos e o aumento de bactérias anaeróbias elevam o pH vaginal para valores superiores a 4,5, sendo um critério diagnóstico chave.
O metronidazol (oral ou gel vaginal) ou a clindamicina (creme vaginal ou óvulos) são os medicamentos de escolha. O tratamento do parceiro sexual não é recomendado, pois a vaginose bacteriana não é considerada uma IST e o tratamento do parceiro não melhora a taxa de cura nem previne recorrências na mulher.
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