HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2025
Mulher, de 35 anos de idade, procura o ambulatório ginecológico com queixa de corrimento vaginal há duas semanas. Este, é acompanhado de odor desagradável e prurido leve na região genital. Tem história de episódios recorrentes de infecção vaginal nos últimos seis meses, mas nega ter tido dor abdominal ou dispareunia. Ao exame, observa-se corrimento vaginal acinzentado, homogêneo, com presença de odor fétido após teste com hidróxido de potássio (KOH), sem sinais de inflamação vulvovaginal. O exame microscópico do conteúdo vaginal, revela células clue (células epiteliais com bordas borradas). Com base no caso descrito, qual é o diagnóstico mais provável para essa paciente?
Corrimento acinzentado homogêneo + odor fétido (KOH+) + células clue = Vaginose Bacteriana.
A vaginose bacteriana é caracterizada por um desequilíbrio da flora vaginal, com redução de lactobacilos e proliferação de bactérias anaeróbias. O diagnóstico é clínico-laboratorial, baseado nos critérios de Amsel, que incluem a presença de células clue e teste do KOH positivo.
A vaginose bacteriana (VB) é a causa mais comum de corrimento vaginal em mulheres em idade reprodutiva, resultante de um desequilíbrio da microbiota vaginal, com diminuição dos lactobacilos e supercrescimento de bactérias anaeróbias, como a Gardnerella vaginalis. Embora não seja considerada uma infecção sexualmente transmissível (IST), a VB pode aumentar o risco de aquisição de outras ISTs e complicações obstétricas e ginecológicas, sendo crucial para residentes o domínio de seu diagnóstico e manejo. O diagnóstico da VB é primariamente clínico, baseado nos critérios de Amsel, que incluem a observação de corrimento vaginal homogêneo, acinzentado e fino, a detecção de um pH vaginal superior a 4.5, um teste do KOH positivo (liberação de odor de aminas, o 'whiff test') e a identificação de células clue no exame microscópico do conteúdo vaginal. A presença de três desses quatro critérios é suficiente para o diagnóstico. A paciente do caso apresenta todos os sinais clássicos, incluindo o corrimento acinzentado, odor fétido com KOH e células clue. O tratamento da vaginose bacteriana geralmente envolve antibióticos como metronidazol (oral ou tópico) ou clindamicina (tópica). É importante orientar a paciente sobre a recorrência, que é comum, e sobre a importância de evitar duchas vaginais e outros fatores que possam desequilibrar a flora. O manejo adequado não só alivia os sintomas, mas também previne potenciais complicações, como doença inflamatória pélvica ou parto prematuro em gestantes.
Os critérios de Amsel incluem corrimento vaginal homogêneo e acinzentado, pH vaginal > 4.5, teste do KOH positivo (odor de aminas) e presença de células clue no exame microscópico.
Células clue são células epiteliais vaginais cobertas por bactérias, principalmente Gardnerella vaginalis, que dão uma aparência borrada às bordas celulares. Sua presença é patognomônica de vaginose bacteriana.
A vaginose bacteriana se distingue pela ausência de inflamação, odor fétido e células clue. A candidíase tem prurido intenso e descarga em 'coalhada', enquanto a tricomoníase tem descarga espumosa e sinais inflamatórios mais evidentes.
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