MedEvo Simulado — Prova 2026
Camila, 28 anos, sexualmente ativa, comparece à consulta ginecológica queixando-se de corrimento vaginal com odor desagradável, que se acentua logo após as relações sexuais e durante o período menstrual. Nega prurido ou disúria. Ao exame especular, observa-se conteúdo vaginal fluido, homogêneo, de coloração branco-acinzentada, aderido às paredes vaginais, sem sinais de inflamação na mucosa ou no colo uterino. A medição do pH vaginal resultou em 5,0 e o teste de liberação de odor após adição de hidróxido de potássio (KOH) a 10% foi positivo. A microscopia a fresco evidenciou a presença de células epiteliais com bordos borrados por cocobacilos aderidos (clue cells) em mais de 20% do campo analisado, com ausência de leucócitos e protozoários. Com base no quadro clínico descrito, assinale a alternativa correta:
Vaginose bacteriana = pH > 4,5 + Whiff test (+) + Clue cells; NÃO se trata o parceiro.
A vaginose bacteriana é um desequilíbrio da flora vaginal (redução de Lactobacillus e aumento de anaeróbios) e não é considerada uma IST clássica, dispensando o tratamento do parceiro.
A vaginose bacteriana é a causa mais comum de corrimento vaginal em mulheres em idade reprodutiva. Caracteriza-se pela substituição dos Lactobacillus sp. produtores de peróxido de hidrogênio por uma flora polimicrobiana anaeróbia, incluindo Gardnerella vaginalis, Atopobium vaginae e Mobiluncus sp. Clinicamente, a ausência de sinais inflamatórios (como dor, prurido ou hiperemia de mucosa) é um marcador importante para diferenciar da candidíase ou tricomoníase. O odor fétido, semelhante a peixe podre, deve-se à volatilização de aminas (putrescina e cadaverina) produzidas pelos anaeróbios, processo que é intensificado pelo pH alcalino do sêmen ou do sangue menstrual.
O diagnóstico requer a presença de pelo menos 3 dos 4 critérios: 1. Corrimento branco-acinzentado, homogêneo e fluido; 2. pH vaginal > 4,5; 3. Teste das aminas (Whiff test) positivo com KOH a 10%; 4. Presença de clue cells (células-alvo) em mais de 20% da microscopia a fresco.
Diferente das ISTs, a vaginose é uma disbiose. Estudos clínicos randomizados demonstraram que o tratamento do parceiro sexual masculino não previne a recorrência da vaginose na mulher nem melhora as taxas de cura, portanto, não é indicado rotineiramente.
O tratamento padrão ouro é o Metronidazol, podendo ser administrado por via oral (500 mg de 12/12h por 7 dias) ou por via vaginal (gel a 0,75% por 5 noites). Alternativas incluem a Clindamicina.
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