SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2025
Uma paciente de 23 anos de idade relatou ter corrimento branco amarelado com odor desagradável, que piora quando mantém relações sexuais. Ao exame especular, o colo uterino estava aparentemente normal, e o conteúdo vaginal era branco leitoso. Ao realizar exame a fresco com soro fisiológico, o médico encontrou diversas células, descritas como clue cells ou células alvos.Com base nessa situação hipotética, esses achados sugerem
Clue cells + corrimento branco-acinzentado + odor fétido (pós-coito) = Vaginose Bacteriana (Gardnerella vaginalis).
A presença de "clue cells" (células-alvo) no exame a fresco, juntamente com corrimento branco-amarelado e odor desagradável que piora após o coito, é patognomônica da vaginose bacteriana, causada principalmente pela Gardnerella vaginalis.
A vaginose bacteriana (VB) é a causa mais comum de corrimento vaginal em mulheres em idade reprodutiva, caracterizada por um desequilíbrio da microbiota vaginal normal, com supercrescimento de bactérias anaeróbias, principalmente Gardnerella vaginalis, e diminuição dos lactobacilos. Embora não seja considerada uma infecção sexualmente transmissível (IST) clássica, a VB está associada a um risco aumentado de adquirir outras ISTs e complicações obstétricas e ginecológicas. O diagnóstico da VB é primariamente clínico, baseado nos critérios de Amsel. A paciente da questão apresenta os achados clássicos: corrimento branco-amarelado com odor desagradável que piora após o coito (devido à liberação de aminas voláteis pelo sêmen alcalino) e a presença de "clue cells" no exame a fresco. O exame especular geralmente não revela sinais inflamatórios significativos no colo uterino, diferenciando-a de outras vaginites. O tratamento da vaginose bacteriana visa restaurar o equilíbrio da flora vaginal e aliviar os sintomas. Os antibióticos mais comumente utilizados são metronidazol (oral ou tópico) ou clindamicina (tópica). É crucial o reconhecimento correto da VB para evitar tratamentos inadequados e suas potenciais complicações, como doença inflamatória pélvica, endometrite pós-parto e aumento do risco de parto prematuro.
O diagnóstico de vaginose bacteriana é feito pelos critérios de Amsel: corrimento vaginal homogêneo, branco-acinzentado; pH vaginal > 4,5; teste de aminas positivo (odor de peixe após adição de KOH); e presença de clue cells no exame microscópico a fresco.
"Clue cells" são células epiteliais vaginais recobertas por bactérias, principalmente Gardnerella vaginalis, que obscurecem as bordas celulares. Sua presença no exame a fresco é um achado patognomônico da vaginose bacteriana.
A vaginose bacteriana se diferencia pela ausência de inflamação, pH vaginal elevado, odor característico e presença de clue cells. Candidíase apresenta prurido intenso, corrimento em "leite coalhado" e hifas/leveduras. Tricomoníase tem corrimento bolhoso, colo em "framboesa" e tricomonas móveis.
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