Vaginose Bacteriana: Diagnóstico, Fatores de Risco e Manejo

SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2021

Enunciado

Com relação à vaginite bacteriana, todas as alternativas estão corretas EXCETO:

Alternativas

  1. A) Vaginose bacteriana (VB) é o desequilíbrio da flora vaginal caracterizado pela substituição da flora microbiana saudável (dominada por Lactobacillus) por microbiota variável, composta por mistura de bactérias anaeróbias e facultativas.
  2. B) A vaginose bacteriana tem sido referida como a mais frequente afecção do trato genital inferior feminino, tem prevalência três vezes mais elevada em mulheres inférteis do que em férteis e é associada a duas vezes o risco de aborto após fertilização in vitro.
  3. C) São fatores de risco para vaginose bacteriana a raça negra, uso de duchas vaginais, tabagismo, menstruação, estresse crônico, elevado número de parceiros masculinos, sexo vaginal desprotegido, sexo anal receptivo antes do sexo vaginal e sexo com parceiro não circuncisado.
  4. D) O quadro clínico caracteriza-se por corrimento de intensidade variável, acompanhado de odor vaginal fétido (caracterizado frequentemente como “odor de peixe”) que piora com o intercurso sexual desprotegido e durante a menstruação.
  5. E) O método mais utilizado para o diagnóstico, devido ao baixo custo e à praticidade, é a bacterioscopia à fresco, colocando-se em uma lâmina de vidro uma gota de conteúdo vaginal e uma gota de solução salina e observando-se ao microscópio; o parasita é identificado pela movimentação pendular. O teste de amplificação de ácido nucleico (NAAT) é altamente sensível, detectando cinco vezes mais do que o exame a fresco.

Pérola Clínica

VB = desequilíbrio flora vaginal, corrimento 'odor de peixe', diagnóstico por critérios clínicos ou microscopia (células-chave).

Resumo-Chave

A questão aborda a vaginose bacteriana, uma condição comum do trato genital feminino. A alternativa incorreta se refere ao diagnóstico de Trichomonas vaginalis (parasita com movimentação pendular), não à VB, que é diagnosticada por critérios clínicos (Amsel) ou microscopia (células-chave).

Contexto Educacional

A vaginose bacteriana (VB) é a afecção mais comum do trato genital inferior feminino, caracterizada por um desequilíbrio da flora vaginal, onde há uma redução dos lactobacilos protetores e supercrescimento de bactérias anaeróbias. Sua prevalência é alta e está associada a complicações como infertilidade e risco aumentado de aborto, tornando seu reconhecimento e tratamento cruciais na prática ginecológica. O quadro clínico típico envolve corrimento vaginal de intensidade variável e odor fétido, frequentemente descrito como 'odor de peixe', que piora após o intercurso sexual desprotegido e durante a menstruação. O diagnóstico é primariamente clínico, utilizando os critérios de Amsel, ou laboratorial, pela identificação de células-chave na bacterioscopia à fresco, que são células epiteliais vaginais recobertas por bactérias. Embora o exame a fresco seja prático e de baixo custo, a alternativa incorreta da questão confunde o diagnóstico de VB com o de tricomoníase, que é a condição onde se observa um parasita com movimentação pendular. Métodos mais sensíveis para VB, como o NAAT, detectam o DNA bacteriano, mas não são o método mais comum devido ao custo. O tratamento visa restaurar o equilíbrio da flora vaginal e aliviar os sintomas.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios de Amsel para o diagnóstico de vaginose bacteriana?

Os critérios de Amsel incluem: corrimento vaginal homogêneo e branco-acinzentado, pH vaginal > 4,5, teste de aminas positivo (odor de peixe após KOH 10%) e presença de células-chave na microscopia.

Quais são os principais fatores de risco para desenvolver vaginose bacteriana?

Fatores de risco incluem raça negra, uso de duchas vaginais, tabagismo, múltiplos parceiros sexuais, sexo desprotegido, sexo anal receptivo antes do vaginal e parceiro não circuncisado.

Como a vaginose bacteriana se diferencia da tricomoníase no diagnóstico laboratorial?

A vaginose bacteriana é diagnosticada pela presença de células-chave e ausência de lactobacilos. A tricomoníase é identificada pela visualização de trofozoítos móveis (movimentação pendular) de Trichomonas vaginalis no exame a fresco.

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