Vaginose Bacteriana: Diagnóstico e Características Essenciais

HR Presidente Prudente - Hospital Regional de Presidente Prudente (SP) — Prova 2024

Enunciado

As vulvovaginites, assim como todas as manifestações inflamatórias e ou infecciosas do trato genital feminino, constituem os problemas mais comumente observados em atendimento ambulatorial na ginecologia. Um microbioma vaginal desequilibrado é porta de entrada para infecções tanto do trato genital inferior quanto do superior. Sobre as vulvovaginites, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) A Chlamydia trachomatis tem maior prevalência em mulheres com idade > 30 anos.
  2. B) A vaginite atrófica ocorre principalmente em mulheres na perimenopausa e está associada a baixos níveis de progesterona.
  3. C) A doxiciclina por 7 dias é o tratamento de escolha para Chlamydia, visto que há baixo índice de cura com dose única de Azitromicina.
  4. D) Secreção volumosa tipo leite coalhado, disúria inicial, prurido vulvar, dor, edema e hiperemia são compatíveis com quadro de vaginose bacteriana.
  5. E) Na vaginose bacteriana há perda de lactobacilos, pH > 4,5 e whiff- test positivo.

Pérola Clínica

Vaginose Bacteriana = perda de lactobacilos, pH > 4,5, whiff-test positivo, células-chave.

Resumo-Chave

A vaginose bacteriana é caracterizada por um desequilíbrio da microbiota vaginal, com redução dos lactobacilos e supercrescimento de bactérias anaeróbias. Os critérios de Amsel são essenciais para o diagnóstico, incluindo pH vaginal elevado (>4,5) e teste de aminas (whiff-test) positivo.

Contexto Educacional

As vulvovaginites representam uma das queixas mais frequentes na ginecologia ambulatorial, refletindo desequilíbrios na complexa microbiota vaginal. A vaginose bacteriana (VB) é a causa mais comum de corrimento vaginal em mulheres em idade reprodutiva, caracterizada por uma alteração da flora vaginal normal, com redução dos lactobacilos protetores e proliferação de bactérias anaeróbias, como Gardnerella vaginalis. O diagnóstico da vaginose bacteriana é clínico e laboratorial, baseado nos critérios de Amsel. Estes incluem a presença de corrimento vaginal homogêneo, branco-acinzentado; pH vaginal elevado (> 4,5); teste de aminas (whiff-test) positivo, que produz um odor de peixe após a adição de hidróxido de potássio (KOH) a 10% à secreção; e a identificação de células-chave (clue cells) no exame microscópico da secreção vaginal. A presença de pelo menos três desses quatro critérios confirma o diagnóstico. O tratamento da vaginose bacteriana geralmente envolve metronidazol (oral ou tópico) ou clindamicina (tópica). É fundamental diferenciar a VB de outras vulvovaginites, como a candidíase vulvovaginal (que cursa com prurido intenso, secreção espessa e pH normal) e a tricomoníase (corrimento bolhoso, prurido e pH elevado), pois o manejo é distinto para cada condição. A compreensão desses diferenciais é crucial para residentes em ginecologia.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios de Amsel para o diagnóstico de vaginose bacteriana?

Os critérios de Amsel incluem: corrimento vaginal homogêneo, branco-acinzentado; pH vaginal > 4,5; teste de aminas (whiff-test) positivo (odor de peixe após KOH 10%); e presença de células-chave (clue cells) no exame microscópico. São necessários pelo menos três dos quatro critérios.

Qual a principal alteração na microbiota vaginal na vaginose bacteriana?

A principal alteração é a diminuição ou ausência de lactobacilos, que são bactérias produtoras de ácido lático e responsáveis por manter o pH vaginal ácido, e o supercrescimento de bactérias anaeróbias, como Gardnerella vaginalis.

Como diferenciar a vaginose bacteriana de outras vulvovaginites comuns?

A vaginose bacteriana se diferencia da candidíase (prurido intenso, secreção tipo 'leite coalhado', pH normal) e da tricomoníase (corrimento amarelo-esverdeado bolhoso, prurido, pH elevado, protozoário móvel) pelos seus achados específicos nos critérios de Amsel.

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