Vaginose Bacteriana: Diagnóstico e Tratamento com Metronidazol

PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2020

Enunciado

Mulher, 28 anos, profissional do sexo, que busca atendimento por corrimento vaginal abundante e fétido, que piora após as menstruações e após coito. Ao exame físico o conteúdo vaginal é homogêneo, de cor acinzentada e odor fétido, o muco cervical é claro e translúcido. Não há sinais inflamatórios nas paredes vaginais e no colo uterino. Assinale a alternativa CORRETA sobre esta situação clínica entre as abaixo:

Alternativas

  1. A) Trata-se de provável infecção sexualmente transmissível e será necessário convocarseus parceiros para avaliar a provável etiologia fúngica.
  2. B)  Caso a bacterioscopia pelos critérios de Nugent confirme a disbiose vaginal, poderáser usado o metronidazol.
  3. C)  Impõe-se a pesquisa por biologia molecular (PCR) de C. trachomatis e N. gonorrhoeaepara definir o processo.
  4. D)  Esta situação configura características de imunossupressão, portanto devemos suporque a paciente seja portadora de AIDS.

Pérola Clínica

Vaginose Bacteriana: corrimento acinzentado, fétido (piora pós-coito/menstruação), pH > 4,5, células-chave, teste KOH (+). Tratamento = Metronidazol.

Resumo-Chave

A Vaginose Bacteriana é uma disbiose da flora vaginal, não uma IST clássica, caracterizada por um desequilíbrio com supercrescimento de bactérias anaeróbias. O diagnóstico é clínico (critérios de Amsel) e laboratorial (critérios de Nugent na bacterioscopia), e o tratamento com metronidazol é eficaz.

Contexto Educacional

A Vaginose Bacteriana (VB) é a causa mais comum de corrimento vaginal em mulheres em idade reprodutiva, caracterizada por uma alteração na microbiota vaginal, com diminuição de lactobacilos e supercrescimento de bactérias anaeróbias. Sua prevalência é alta e pode estar associada a complicações obstétricas e ginecológicas, como parto prematuro e doença inflamatória pélvica, tornando seu diagnóstico e tratamento cruciais na prática clínica. O diagnóstico da VB baseia-se nos critérios clínicos de Amsel (corrimento homogêneo acinzentado, pH vaginal >4,5, teste de aminas positivo e presença de células-chave) ou nos critérios de Nugent, que avaliam a morfologia bacteriana na coloração de Gram do esfregaço vaginal. É fundamental diferenciar a VB de outras causas de corrimento, como candidíase e tricomoníase, pois a abordagem terapêutica é distinta. A ausência de sinais inflamatórios é uma característica importante da VB. O tratamento padrão para Vaginose Bacteriana é o metronidazol, que pode ser administrado por via oral ou tópica, ou a clindamicina. A escolha da via e da duração depende da preferência da paciente e da gravidade dos sintomas. A educação da paciente sobre higiene e fatores de risco é importante para prevenir recorrências, embora a VB seja conhecida por sua alta taxa de recidiva.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios diagnósticos para Vaginose Bacteriana?

Os critérios de Amsel incluem corrimento vaginal homogêneo e acinzentado, pH vaginal maior que 4,5, teste de aminas positivo (odor fétido após KOH) e presença de células-chave na microscopia. Os critérios de Nugent são baseados na bacterioscopia de Gram.

Por que o metronidazol é o tratamento de escolha para Vaginose Bacteriana?

O metronidazol é eficaz contra as bactérias anaeróbias que proliferam na Vaginose Bacteriana, restaurando o equilíbrio da flora vaginal. Pode ser administrado por via oral ou tópica (gel vaginal).

A Vaginose Bacteriana é considerada uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST)?

Embora a Vaginose Bacteriana seja mais comum em mulheres sexualmente ativas, ela não é classificada como uma IST no sentido tradicional, pois é um desequilíbrio da flora vaginal normal. Não há necessidade de tratar parceiros masculinos.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo