Vaginose Bacteriana: Diagnóstico por Clue Cells e Critérios de Amsel

HSR Cássia - Hospital São Sebastião de Cássia (MG) — Prova 2024

Enunciado

Paciente, 32 anos, queixa corrimento vaginal com odor desagradável, de início há 7 dias. No exame de lâmina a fresco, visualizada imagem a seguir. Sobre o diagnóstico e tratamento, assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) O pH da secreção vaginal é provavelmente inferior a 4,5.
  2. B) A visualização de clue cells indica vaginose bacteriana e o diagnóstico é realizado na presença de pelo menos 3 critérios de Amsel.
  3. C) O diagnóstico é de tricomoníase pela visualização do protozoário ao microscópio.
  4. D) Ao exame especular, pode-se encontrar colo uterino com aspecto de morango ou framboesa.

Pérola Clínica

Clue cells + odor desagradável + pH > 4,5 = Vaginose Bacteriana (Critérios de Amsel).

Resumo-Chave

A visualização de "clue cells" (células epiteliais vaginais cobertas por bactérias) no exame de lâmina a fresco é um achado patognomônico da vaginose bacteriana. O diagnóstico é confirmado pela presença de pelo menos três dos quatro critérios de Amsel, que incluem também corrimento homogêneo, odor de amina ("fishy odor") e pH vaginal > 4,5.

Contexto Educacional

A vaginose bacteriana (VB) é a causa mais comum de corrimento vaginal em mulheres em idade reprodutiva, caracterizada por um desequilíbrio da microbiota vaginal normal, com diminuição dos lactobacilos e supercrescimento de bactérias anaeróbias, como Gardnerella vaginalis e Mycoplasma hominis. Clinicamente, manifesta-se por corrimento vaginal branco-acinzentado, homogêneo, com odor desagradável ("fishy odor"), que piora após a relação sexual ou menstruação. O diagnóstico da vaginose bacteriana é clínico e laboratorial, utilizando os critérios de Amsel. São eles: 1) corrimento vaginal homogêneo, branco-acinzentado, que adere às paredes vaginais; 2) pH vaginal > 4,5; 3) teste de aminas positivo (liberação de odor de peixe após adição de KOH 10% à secreção); e 4) presença de "clue cells" (células-chave) no exame microscópico da lâmina a fresco. A presença de pelo menos três desses critérios confirma o diagnóstico. O tratamento visa restaurar o equilíbrio da flora vaginal e aliviar os sintomas. As opções incluem metronidazol (oral ou gel vaginal) ou clindamicina (creme vaginal ou óvulos). É importante ressaltar que a vaginose bacteriana não é considerada uma infecção sexualmente transmissível clássica, embora possa estar associada à atividade sexual. O tratamento é crucial para prevenir complicações como doença inflamatória pélvica, infecções pós-cirúrgicas ginecológicas e parto prematuro.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios de Amsel para o diagnóstico de vaginose bacteriana?

Os critérios de Amsel incluem: 1) corrimento vaginal homogêneo, branco-acinzentado; 2) pH vaginal > 4,5; 3) teste de aminas positivo (odor de peixe após KOH 10%); e 4) presença de clue cells no microscópio. São necessários pelo menos três para o diagnóstico.

O que são "clue cells" e por que são importantes?

Clue cells são células epiteliais vaginais que estão densamente cobertas por bactérias, principalmente Gardnerella vaginalis, dando uma aparência granular e borrada à margem celular. São um achado microscópico chave para o diagnóstico de vaginose bacteriana.

Qual o tratamento para vaginose bacteriana?

O tratamento padrão para vaginose bacteriana é com metronidazol (oral ou gel vaginal) ou clindamicina (creme vaginal ou óvulos). É importante tratar para aliviar os sintomas e prevenir complicações.

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