Vaginose Bacteriana: Diagnóstico e Achados Laboratoriais

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2020

Enunciado

Mulher, 35a, vem com queixa de corrimento vaginal abundante há 30 dias. Exame ginecológico: secreção branco-acinzentado em pequena quantidade, pH=4,5, teste das aminas positivos e ausência de hiperemia de paredes vaginais. Bacterioscopia vaginal (ANEXO A): OS ACHADOS HISTOLÓGICOS QUE CONFIRMAM O DIAGNÓSTICO SÃO:

Alternativas

  1. A) Hifas e leveduras.
  2. B) Excesso de lactobacilos e células-guia (clue cells).
  3. C) Células-guia (clue cells) e ausência de leucócitos
  4. D) Excesso de bactérias e de lactobacilos.

Pérola Clínica

Corrimento branco-acinzentado, pH > 4,5, teste aminas +, clue cells → Vaginose Bacteriana.

Resumo-Chave

O quadro clínico (corrimento branco-acinzentado, ausência de inflamação, teste das aminas positivo) e o pH vaginal (4,5, embora a vaginose bacteriana tipicamente tenha pH > 4,5) sugerem vaginose bacteriana. A presença de células-guia (clue cells) na bacterioscopia, juntamente com a ausência de leucócitos (indicando não inflamação), confirma este diagnóstico.

Contexto Educacional

A vaginose bacteriana (VB) é a causa mais comum de corrimento vaginal em mulheres em idade reprodutiva, resultante de um desequilíbrio na microbiota vaginal. Caracteriza-se pela diminuição ou ausência de lactobacilos, que são as bactérias protetoras predominantes, e um supercrescimento de bactérias anaeróbias, como Gardnerella vaginalis, Mycoplasma hominis e outras. É importante diferenciar a VB de outras vaginites, como candidíase e tricomoníase, pois o tratamento e a fisiopatologia são distintos. O diagnóstico da vaginose bacteriana é primariamente clínico, baseado nos Critérios de Amsel, que incluem: 1) corrimento vaginal homogêneo, branco-acinzentado, que adere às paredes vaginais; 2) pH vaginal > 4,5 (normalmente 3,8-4,5); 3) teste das aminas (whiff test) positivo, que é o odor fétido de peixe após a adição de KOH à secreção; e 4) presença de células-guia (clue cells) na microscopia. A presença de pelo menos três desses quatro critérios confirma o diagnóstico. A bacterioscopia vaginal, ou exame a fresco, é fundamental para a identificação das células-guia. Estas são células epiteliais vaginais que aparecem "granuladas" ou "borradas" devido à adesão de inúmeras bactérias à sua superfície. Outro achado importante na VB é a ausência ou escassez de leucócitos polimorfonucleares, pois a vaginose bacteriana é uma disbiose e não uma inflamação verdadeira. O tratamento geralmente envolve antibióticos como metronidazol ou clindamicina, administrados por via oral ou vaginal, visando restaurar o equilíbrio da microbiota vaginal.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios de Amsel para o diagnóstico de vaginose bacteriana?

Os critérios de Amsel incluem: corrimento vaginal homogêneo, branco-acinzentado; pH vaginal > 4,5; teste das aminas (whiff test) positivo; e presença de células-guia (clue cells) na microscopia. São necessários pelo menos três dos quatro critérios.

O que são células-guia (clue cells) na bacterioscopia vaginal?

Células-guia são células epiteliais vaginais recobertas por bactérias (principalmente Gardnerella vaginalis), que dão uma aparência granular ou pontilhada à borda da célula, sendo patognomônicas da vaginose bacteriana.

Por que a ausência de leucócitos é importante no diagnóstico de vaginose bacteriana?

A ausência ou escassez de leucócitos polimorfonucleares na secreção vaginal é um achado característico da vaginose bacteriana, pois esta condição é uma disbiose sem inflamação significativa, diferenciando-a de vaginites inflamatórias como a candidíase ou tricomoníase.

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