Vaginose Bacteriana: Diagnóstico e pH Vaginal

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2023

Enunciado

Uma paciente de 14 anos, virgem, apresenta queixa de corrimento vaginal escuro de odor fétido associado a prurido. Após exame clínico e laboratorial, foi identificada a presença de Gardnerella vaginalis.Em relação ao caso clínico exposto, julgue o item a seguir.O PH vaginal dessa paciente será maior que 4,5.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

Vaginose bacteriana → pH > 4,5 + Teste das aminas (+) + Clue cells + Corrimento fluido.

Resumo-Chave

A Gardnerella vaginalis causa um desequilíbrio da microbiota (disbiose), com redução de Lactobacilos e proliferação de anaeróbios, o que eleva o pH vaginal acima da normalidade fisiológica.

Contexto Educacional

A vaginose bacteriana representa a causa mais comum de corrimento vaginal em mulheres em idade reprodutiva. Caracteriza-se por uma alteração polimicrobiana onde a flora acidófila normal é substituída por uma alta concentração de bactérias anaeróbias. A Gardnerella vaginalis, embora seja o marcador clássico, faz parte de um biofilme complexo. O diagnóstico é eminentemente clínico e laboratorial simples (Critérios de Amsel). É fundamental diferenciar a vaginose da candidíase (pH < 4,5) e da tricomoníase (pH > 4,5, mas com presença de protozoários e sinais inflamatórios intensos). O manejo adequado previne complicações como doença inflamatória pélvica e riscos gestacionais.

Perguntas Frequentes

Quais são os quatro Critérios de Amsel para diagnóstico de vaginose?

O diagnóstico clínico de vaginose bacteriana requer a presença de pelo menos três dos quatro critérios de Amsel: 1. Corrimento vaginal branco-acinzentado, homogêneo e fino; 2. pH vaginal > 4,5; 3. Teste do 'whiff' positivo (odor de peixe podre após adição de KOH a 10%); 4. Presença de 'clue cells' (células-alvo) na microscopia a fresco.

Por que o pH vaginal aumenta na vaginose bacteriana?

Em condições normais, os Lactobacilos de Döderlein produzem ácido lático, mantendo o pH vaginal ácido (entre 3,8 e 4,5). Na vaginose, ocorre uma substituição desses lactobacilos por bactérias anaeróbias (como Gardnerella e Mobiluncus), que não produzem ácido lático e liberam aminas, resultando na elevação do pH para valores superiores a 4,5.

Como tratar a vaginose bacteriana em adolescentes?

O tratamento de escolha é o Metronidazol, que pode ser administrado por via oral (500mg de 12/12h por 7 dias) ou por via vaginal. Em pacientes virgens, a via oral é preferível. O tratamento do parceiro sexual não é recomendado rotineiramente, pois não reduz a taxa de recorrência da infecção.

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